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O entendimento sobre o Transtorno do Espectro Autista percorreu um caminho longo e complexo ao longo do último século, evoluindo de observações isoladas para um campo de estudo robusto e humanizado. Nos primórdios da psiquiatria moderna, crianças que apresentavam comportamentos hoje claramente identificados como parte do espectro eram frequentemente diagnosticadas com esquizofrenia infantil ou outras psicoses, sem que houvesse uma categoria específica para suas dificuldades de interação social e comunicação. Foi somente na década de 1940 que pesquisadores como Leo Kanner e Hans Asperger, de forma independente, começaram a descrever padrões comportamentais distintos, caracterizados por um isolamento social profundo e um desejo obsessivo pela manutenção da rotina. Kanner utilizou o termo autismo para descrever crianças que pareciam viver em um mundo próprio, enquanto Asperger focou em indivíduos que, apesar de possuírem habilidades linguísticas avançadas, apresentavam dificuldades severas na interação social e interesses muito restritos.
Durante meados do século XX, o campo enfrentou um período de equívocos dolorosos, especialmente com a disseminação da teoria das mães-geladeira, que atribuía a causa do autismo a uma suposta frieza emocional dos pais, gerando imenso sofrimento e culpa nas famílias. Felizmente, o avanço das neurociências e da genética a partir da década de 1960 desmentiu essas hipóteses, comprovando que o autismo possui uma base biológica e neurológica ligada ao desenvolvimento do cérebro. Com a evolução dos manuais de diagnóstico, como o DSM, o conceito de autismo deixou de ser visto como uma condição única e estática para ser compreendido como um espectro, reconhecendo que cada indivíduo possui uma combinação única de desafios e potencialidades. Essa mudança de paradigma foi impulsionada não apenas por cientistas, mas pela militância de pais e pelas próprias pessoas autistas, que trouxeram para o debate a importância da neurodiversidade e do respeito às características individuais.
Hoje, ser um cuidador de criança autista exige uma base de conhecimento que honre essa trajetória histórica, transformando o estigma em compreensão e a exclusão em práticas de inclusão baseadas em evidências. O cuidador contemporâneo não busca curar a criança, mas sim fornecer as ferramentas e o suporte necessários para que ela possa navegar no mundo com autonomia e dignidade. Compreender que o Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento é o primeiro passo para uma prática profissional ética e amorosa. Ao longo deste curso, exploraremos como essas bases teóricas se traduzem em ações práticas no cotidiano, garantindo que o cuidado seja um motor de progresso e bem-estar para a criança e suporte para sua família.
O Transtorno do Espectro Autista é definido principalmente por desafios em duas grandes áreas que se manifestam de formas variadas em cada indivíduo. A primeira área envolve dificuldades persistentes na comunicação social e na interação social, que podem ir desde a ausência completa da fala até uma linguagem formal e pedante que falha em captar as nuances da conversa cotidiana. A segunda área engloba padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, incluindo sensibilidades sensoriais agudas. O uso da palavra espectro é fundamental porque indica que os sintomas e o nível de suporte necessário variam imensamente. Uma criança pode ser altamente funcional em termos acadêmicos, mas sofrer crises intensas diante de mudanças mínimas na rotina, enquanto outra pode não usar a fala verbal, mas comunicar-se de forma rica através de gestos e sistemas alternativos de comunicação.
Para o cuidador, a prática diária exige a superação de generalizações. Não existe um manual único que funcione para todas as crianças autistas. O trabalho começa com a observação atenta e empática para descobrir como aquela criança específica percebe o mundo. Por exemplo, enquanto uma criança pode se sentir acalmada pelo toque firme e por abraços de urso, outra pode perceber o mesmo toque como uma agressão sensorial dolorosa. O cuidador deve atuar como um investigador do comportamento, buscando entender a função por trás de cada ação. Se uma criança começa a balançar o corpo vigorosamente, isso pode ser uma forma de autorregulação para lidar com um ambiente barulhento ou uma expressão de alegria intensa. Compreender essas nuances permite que o cuidador intervenha de forma a apoiar a criança em suas necessidades reais, em vez de apenas tentar suprimir comportamentos que pareçam estranhos aos olhos de quem não conhece o espectro.
A inclusão de exemplos práticos no cotidiano ajuda a ilustrar essa diversidade. Imagine que você está cuidando de Lucas, uma criança de seis anos que possui uma paixão obsessiva por trens. Em vez de ver esse interesse como uma barreira para outras atividades, o cuidador estratégico utiliza os trens como uma ponte para o aprendizado e para a interação social. Pode-se ensinar conceitos matemáticos contando vagões ou trabalhar a espera e o revezamento durante uma brincadeira de montar trilhos. Ao validar o interesse da criança, o cuidador constrói um vínculo de confiança e segurança, elementos indispensáveis para qualquer progresso terapêutico ou educacional. O respeito à singularidade é o que transforma o cuidado burocrático em uma prática de desenvolvimento humano profundo.
A comunicação é uma das áreas mais afetadas no autismo, mas é vital lembrar que a ausência de fala não significa ausência de comunicação. Muitas crianças autistas processam a linguagem de forma diferente, muitas vezes sendo pensadoras visuais que compreendem melhor uma imagem do que uma instrução verbal complexa. O cuidador deve adaptar sua própria forma de falar, utilizando frases curtas, diretas e objetivas. Se você diz para uma criança autista que ela precisa se apressar porque o tempo está voando, ela pode olhar para o céu procurando por relógios alados, devido à tendência de interpretar a linguagem de forma literal. Portanto, em vez de metáforas, o cuidador deve usar comandos claros como agora vamos calçar os sapatos.
O uso de suportes visuais é uma estratégia poderosa para facilitar a comunicação e reduzir a ansiedade. Rotinas visualizadas através de fotos ou desenhos ajudam a criança a antecipar o que virá a seguir, fornecendo uma sensação de controle sobre o ambiente. Imagine o caso de uma criança que entra em crise toda vez que o banho termina. O cuidador pode utilizar uma sequência de imagens que mostram o banho, a toalha e depois uma atividade prazerosa, como ouvir música. Ao ver a sequência, a criança compreende que o fim do banho não é um evento isolado e negativo, mas uma transição para algo novo. Além disso, para crianças não-verbais, o uso de Sistemas de Comunicação Alternativa e Aumentativa, como o PECS ou aplicativos em tablets, permite que elas expressem suas necessidades básicas e desejos, diminuindo a frustração que muitas vezes gera comportamentos desafiadores.
A interação social também exige um ensino explícito de habilidades que outras crianças aprendem por imitação natural. O cuidador atua como um mediador social, ajudando a criança a entender as regras não escritas das trocas humanas. Isso envolve treinar o contato visual sem forçá-lo, respeitando os limites da criança, e ensinar a ler expressões faciais simples. Um exemplo prático seria utilizar jogos de imitação na frente do espelho, onde o cuidador faz uma cara de surpreso e a criança tenta repetir. Essas brincadeiras, além de divertidas, fortalecem as bases neurológicas da interação. O objetivo não é tornar a criança socialmente perfeita segundo os padrões típicos, mas sim dar a ela as ferramentas para que possa se conectar com as pessoas ao seu redor de uma maneira que seja confortável e funcional para ela.
Uma característica marcante no autismo é a forma atípica de processar estímulos sensoriais, que pode se manifestar como hipersensibilidade ou hiposensibilidade aos sentidos. O mundo, para muitas crianças autistas, pode ser um lugar avassaladoramente barulhento, brilhante ou caótico. O som de um aspirador de pó, que para nós é apenas um ruído de fundo, pode ser percebido por uma criança autista como um rugido ensurdecedor e doloroso. Por outro lado, algumas crianças podem buscar estímulos intensos, como girar sobre o próprio eixo ou bater objetos, para sentir melhor seu próprio corpo no espaço. O cuidador deve ser capaz de realizar uma auditoria sensorial do ambiente, identificando potenciais gatilhos de desconforto e criando zonas de refúgio onde a criança possa se acalmar.
A adaptação do ambiente físico é uma das formas mais eficazes de prevenção de crises. Se uma criança é sensível à luz fluorescente, trocar as lâmpadas ou permitir o uso de bonés pode fazer uma diferença imensa em sua capacidade de concentração. Se o problema é o barulho, o uso de fones de ouvido redutores de ruído pode permitir que a criança participe de eventos sociais ou frequente lugares públicos com menos estresse. Na prática, um cuidador atento percebe que a criança começa a cobrir as orelhas ou a ficar agitada quando o caminhão do lixo se aproxima da rua. Agir proativamente, fechando as janelas ou iniciando uma atividade que exija foco visual intenso, ajuda a criança a navegar por esse momento difícil sem entrar em colapso sensorial.
Além da visão e audição, o tato e a propriocepção também exigem cuidados. Algumas crianças possuem seletividade alimentar severa devido à textura dos alimentos; elas podem recusar qualquer coisa pastosa ou crocante não por capricho, mas por uma real aversão sensorial. O cuidador deve trabalhar em conjunto com terapeutas ocupacionais para introduzir novas texturas de forma gradual e sem pressão. Outro exemplo prático é o uso de coletes de peso ou mantas pesadas, que fornecem pressão profunda e ajudam na autorregulação de crianças que buscam estímulo proprioceptivo. Ao ajustar o mundo para que ele seja menos hostil aos sentidos da criança, o cuidador libera energia mental para que ela possa se focar no aprendizado e na diversão, promovendo uma qualidade de vida significativamente maior.
Comportamentos desafiadores, como agressividade, auto-mutilação ou crises de choro inconsolável, são frequentemente formas de comunicação de uma criança que não encontra outra maneira de expressar dor, medo ou frustração. O cuidador profissional deve adotar a perspectiva de que o comportamento é a ponta do iceberg, e seu trabalho é entender o que está acontecendo abaixo da superfície. A análise funcional do comportamento busca identificar o que aconteceu imediatamente antes do comportamento, qual foi a ação da criança e o que ela obteve como consequência. Se uma criança morde a mão toda vez que lhe é apresentada uma tarefa de matemática, o comportamento pode ter a função de esquiva daquela atividade difícil. Entender isso permite que o cuidador modifique a tarefa, tornando-a mais fácil ou lúdica, em vez de apenas punir a mordida.
A distinção entre uma birra comum e um colapso autista (meltdown) é crucial para a intervenção correta. A birra geralmente tem um objetivo claro e cessa quando a criança consegue o que quer. O colapso, por outro lado, é uma perda total de controle causada por uma sobrecarga sensorial ou emocional; a criança não está tentando manipular ninguém, ela está em sofrimento real. Durante um colapso, a prioridade absoluta do cuidador é garantir a segurança física da criança e das pessoas ao redor. Falar muito, tentar racionalizar ou dar broncas apenas aumenta o caos sensorial. A estratégia correta envolve manter a calma, reduzir os estímulos do ambiente, retirar objetos perigosos e esperar que o sistema nervoso da criança se acalme, oferecendo apoio sem pressão.
Um exemplo de gestão preventiva de crises envolve o uso de cartões de escolha. Muitas vezes, a crise surge porque a criança se sente impotente. Oferecer duas opções aceitáveis, como você prefere pintar com lápis ou com tinta agora?, dá à criança um senso de agência que pode prevenir a frustração. Outra técnica é o uso do temporizador visual para marcar o tempo de uma atividade. Se a criança sabe que a brincadeira vai acabar quando a cor vermelha do relógio sumir, a transição para a próxima tarefa torna-se mais previsível e menos assustadora. O cuidador que domina essas técnicas de manejo comportamental transforma momentos de alta tensão em oportunidades de aprendizado e regulação emocional, fortalecendo a resiliência da criança a longo prazo.
Brincar é a linguagem natural da criança e o principal meio pelo qual ela explora o mundo e desenvolve habilidades motoras, cognitivas e sociais. No entanto, o brincar da criança autista pode parecer diferente; ela pode preferir enfileirar carrinhos por cores em vez de fazê-los correr, ou interessar-se mais pelas rodas giratórias de um caminhão do que pelo brinquedo como um todo. O cuidador não deve forçar a criança a brincar da maneira correta, mas sim entrar no mundo dela. Se a criança está girando as rodas, o cuidador pode sentar ao lado e girar também, estabelecendo um primeiro nível de conexão e atenção compartilhada. A partir desse interesse mútuo, o cuidador pode introduzir pequenas variações para expandir o repertório da criança.
As brincadeiras sensoriais são particularmente eficazes para o engajamento. Atividades com massinha, areia cinética, bacias com grãos ou água permitem uma exploração tátil rica que muitas crianças autistas adoram. Imagine que você está cuidando de uma criança que tem dificuldade em manter o foco. Criar uma bacia de tesouros escondidos em arroz colorido pode mantê-la engajada por longos períodos enquanto ela treina a coordenação motora fina ao pegar pequenos objetos. O lúdico também é uma excelente ferramenta para o ensino de autonomia. Bonecos podem ser usados para dramatizar situações do dia a dia, como ir ao dentista ou tomar banho, ajudando a criança a processar essas experiências de forma segura antes que elas ocorram na realidade.
Além disso, o brincar compartilhado é o terreno onde se semeia a reciprocidade social. Jogos simples de causa e efeito, como esconder o rosto e dizer achou!, ou lançar uma bola leve um para o outro, ensinam a alternância de turnos, que é a base de qualquer conversa. O cuidador deve ser criativo e paciente, celebrando as pequenas vitórias, como a primeira vez que a criança olha para ele para compartilhar um momento de risada durante uma brincadeira de bolhas de sabão. O lúdico não é apenas um passatempo no cuidado da criança autista; é uma estratégia terapêutica poderosa que utiliza o prazer e a motivação intrínseca para promover o desenvolvimento global de forma leve e respeitosa.
O objetivo final de todo cuidado e intervenção para crianças autistas é a promoção da maior autonomia possível, permitindo que elas realizem suas atividades de vida diária com o mínimo de suporte necessário. Isso inclui habilidades de higiene pessoal, alimentação, vestuário e organização. O cuidador deve resistir à tentação de fazer tudo pela criança para ganhar tempo, pois isso gera uma dependência aprendida que prejudica o futuro dela. O ensino dessas habilidades deve ser feito através da análise de tarefas, que consiste em quebrar uma atividade complexa em passos minúsculos e ensiná-los um a um. Por exemplo, lavar as mãos envolve abrir a torneira, molhar as mãos, pegar o sabão, esfregar, enxaguar e secar. O cuidador pode ajudar fisicamente nos primeiros passos e deixar que a criança realize o último passo sozinha, aumentando gradualmente a participação dela.
O uso de sequências visuais no banheiro ou na cozinha serve como um guia constante que substitui a necessidade de um adulto dando ordens. Uma sequência colada acima da pia mostrando os passos para escovar os dentes permite que a criança consulte o que deve fazer a seguir, promovendo a independência e a autoconfiança. Na hora das refeições, o cuidador pode incentivar o uso dos talheres e a exploração de novos alimentos de forma gradual, respeitando as seletividades sensoriais mas mantendo uma postura de incentivo gentil. Se a criança tem dificuldade com botões, o cuidador pode providenciar roupas com velcro ou elástico inicialmente, treinando o movimento de abotoar como uma atividade lúdica separada do momento da pressa de sair de casa.
Um exemplo prático de promoção de autonomia envolve a organização dos brinquedos. O cuidador pode usar caixas transparentes com etiquetas contendo fotos do que deve ir dentro de cada uma. Isso ajuda a criança a entender onde as coisas pertencem e permite que ela participe ativamente da arrumação. Ao transformar tarefas domésticas em rotinas claras e previsíveis, o cuidador ajuda a criança a desenvolver habilidades executivas de planejamento e execução. Cada pequena tarefa que a criança aprende a fazer sozinha é uma vitória que fortalece sua identidade e reduz sua vulnerabilidade, preparando-a para uma vida adulta com mais possibilidades e integração social.
O cuidador de uma criança autista não trabalha de forma isolada; ele é uma peça fundamental em uma engrenagem maior que envolve a família e diversos profissionais de saúde, como psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. A consistência é a chave para o progresso da criança autista. Se o cuidador utiliza uma estratégia de comunicação em casa, mas os pais utilizam outra e o terapeuta uma terceira, a criança ficará confusa e o aprendizado será lento. Portanto, o cuidador deve manter um canal de comunicação aberto e constante com a família, relatando os progressos, as dificuldades e as observações do dia a dia de forma organizada, preferencialmente através de um diário de bordo ou aplicativo de mensagens.
A família de uma criança autista muitas vezes enfrenta níveis elevados de estresse e cansaço físico e emocional. O cuidador, além de cuidar da criança, atua como um suporte para que esses pais possam ter momentos de descanso e autocuidado, sabendo que seu filho está em boas mãos. Essa relação deve ser pautada na confiança mútua e na ausência de julgamentos. Muitas vezes, o cuidador será a pessoa que passa mais tempo com a criança durante o dia, o que lhe dá uma visão privilegiada de comportamentos que podem não aparecer na curta sessão de terapia. Compartilhar essas percepções com a equipe multidisciplinar ajuda a ajustar o plano terapêutico para que ele seja mais eficaz e alinhado com a realidade cotidiana da criança.
Um exemplo prático de colaboração ocorre na implementação de programas de treinamento de toalete. O terapeuta define o protocolo, o cuidador executa as idas ao banheiro durante o dia seguindo o cronograma rigoroso e os pais dão continuidade no período da noite e fins de semana. A troca de informações sobre o que funcionou e o que gerou resistência permite que o grupo ajuste a estratégia de forma rápida. O cuidador profissional reconhece que ele faz parte de uma rede de apoio e que o sucesso da criança é um resultado coletivo. Ao agir com humildade para aprender com os especialistas e com sensibilidade para apoiar a família, o cuidador potencializa os resultados e garante um ambiente de cuidado coerente e fortalecedor.
A prática do cuidador de crianças autistas deve ser guiada por princípios éticos rigorosos que priorizem a dignidade, a privacidade e os direitos da criança. É fundamental lembrar que o autismo não define a criança; ela é, antes de tudo, um sujeito de direitos com sua própria personalidade, preferências e desejos. O respeito à privacidade envolve não compartilhar fotos ou informações sensíveis da criança em redes sociais e tratar as dificuldades do dia a dia com discrição. O cuidador deve ser um defensor da criança, garantindo que ela seja tratada com respeito por outras pessoas em ambientes públicos e combatendo qualquer forma de discriminação ou bullying.
A ética também se manifesta na forma como o cuidador lida com o comportamento da criança. O uso de qualquer forma de punição física, gritos ou humilhações é absolutamente proibido e inaceitável. O foco deve ser sempre no reforço positivo e na compreensão das necessidades não atendidas. Além disso, o cuidador deve incentivar a voz da criança, mesmo que ela seja não-verbal, valorizando suas escolhas sempre que possível. Se a criança demonstra claramente que não quer usar uma determinada roupa ou participar de uma atividade, esse desejo deve ser respeitado, a menos que envolva um risco à segurança ou saúde. Isso ensina à criança que seu corpo e suas opiniões têm valor, construindo as bases para a autodefesa no futuro.
Na prática, ser um cuidador ético significa também manter-se atualizado sobre as leis de proteção à pessoa com autismo, como a Lei Berenice Piana, que garante o acesso a serviços de saúde e educação. O cuidador pode auxiliar a família a garantir que esses direitos sejam cumpridos na escola ou no convívio social. Ao adotar uma postura de profundo respeito pela neurodiversidade, o cuidador deixa de ser apenas alguém que vigia a criança para se tornar um agente de transformação social, contribuindo para um mundo onde o autismo seja visto não como um defeito a ser corrigido, mas como uma forma diferente e valiosa de ser humano.
Cuidar de uma criança autista é uma tarefa que exige imensa energia física, mental e emocional. Para que o cuidado seja sustentável e de qualidade ao longo do tempo, o cuidador precisa cuidar de si mesmo. O risco de esgotamento profissional, ou burnout, é real nesta área devido à intensidade das demandas comportamentais e à carga de responsabilidade. O autocuidado não é um luxo ou egoísmo, mas uma necessidade técnica para manter a paciência, a criatividade e a empatia necessárias para o trabalho. Isso envolve estabelecer limites claros entre o trabalho e a vida pessoal, garantir momentos de lazer e descanso, e buscar suporte quando necessário, seja através de terapia pessoal ou grupos de troca com outros cuidadores.
A gestão do estresse no momento da crise também faz parte do autocuidado. Aprender técnicas de respiração e manter a calma consciente permite que o cuidador não absorva a desregulação da criança, agindo como o porto seguro que ela precisa naquele momento. O cuidador deve ser gentil consigo mesmo e reconhecer que nem todos os dias serão perfeitos. Haverá momentos de frustração e cansaço, e aceitar esses sentimentos sem culpa é fundamental para a saúde mental. A busca por formação contínua também é uma forma de autocuidado, pois quanto mais ferramentas técnicas o cuidador possui, mais seguro e menos estressado ele se sente ao lidar com situações desafiadoras.
Um exemplo prático de autocuidado é a prática da atenção plena ou mindfulness durante as pausas. Reservar cinco minutos para focar apenas na respiração e relaxar a musculatura pode recarregar as energias para o restante da jornada. Além disso, manter uma vida social ativa e hobbies que não tenham relação com o trabalho ajuda a manter a perspectiva e a alegria de viver. Um cuidador bem cuidado é capaz de oferecer um atendimento muito mais amoroso, paciente e eficaz. Ao investir em seu próprio bem-estar, o cuidador garante que terá a resiliência necessária para acompanhar a criança em sua jornada de desenvolvimento, tornando-se um parceiro duradouro e positivo em sua vida.
Olhando para o futuro, o cuidado de crianças autistas caminha para uma integração cada vez maior com a tecnologia e com modelos de suporte baseados na comunidade. O uso de aplicativos de monitoramento, realidade virtual para treino de habilidades sociais e robótica assistiva são ferramentas que começam a surgir para auxiliar cuidadores e terapeutas. No entanto, nenhuma tecnologia substituirá o vínculo humano e a sensibilidade de um cuidador dedicado. A tendência é que a sociedade se torne cada vez mais consciente da neurodiversidade, exigindo espaços públicos, escolas e locais de lazer que sejam genuinamente inclusivos e adaptados às necessidades sensoriais e comunicativas das pessoas no espectro.
O papel do cuidador será cada vez mais o de um facilitador de experiências em ambientes naturais, ajudando a criança a se integrar em parques, clubes e eventos culturais. O foco sairá do confinamento em salas de terapia para a vida em sociedade. Para isso, o cuidador deve cultivar uma mentalidade de aprendizagem contínua, acompanhando as novas descobertas científicas e as mudanças nas melhores práticas. O objetivo maior é que o suporte do cuidador se torne cada vez mais discreto à medida que a criança ganha autonomia, até que ela possa, dentro de suas possibilidades, caminhar com suas próprias pernas no mundo.
Concluímos reforçando que a jornada do cuidador de crianças autistas é repleta de desafios, mas também de descobertas e alegrias incomparáveis. Ver o primeiro sorriso social, a primeira palavra conquistada com esforço ou a superação de um medo antigo são recompensas que dão sentido a todo o trabalho. Ser cuidador é um ato de coragem e amor que transforma vidas, não apenas a da criança, mas também a do próprio profissional, que aprende diariamente novas lições sobre resiliência, paciência e a beleza infinita da diversidade humana. Que os fundamentos e boas práticas explorados neste curso sirvam de bússola para uma carreira brilhante e, acima de tudo, para um cuidado que faça o mundo da criança autista um lugar mais seguro, compreensivo e feliz.
Esperamos que tenha gostado deste curso online complementar.
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Desejamos a você todo o sucesso do mundo. Até o próximo curso!