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Redação Oficial

A jornada para a compreensão da redação oficial exige um mergulho profundo na própria história da civilização humana e na forma como as sociedades aprenderam a sistematizar o registro da autoridade e das leis. Para entender a redação oficial contemporânea como uma ferramenta de cidadania e eficiência administrativa, precisamos realizar uma jornada retrospectiva que nos leve desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até os modernos sistemas de tramitação digital de documentos. Historicamente, a necessidade de registrar informações de maneira formal e duradoura surgiu no momento em que as comunidades humanas se tornaram complexas demais para dependerem apenas da memória oral. Na Antiga Suméria, por volta de quatro mil anos antes de Cristo, os escribas já utilizavam a escrita cuneiforme para registrar transações comerciais, decretos reais e impostos. Esses profissionais eram os primeiros detentores da técnica de redação oficial, possuindo um conhecimento restrito que lhes conferia grande poder e prestígio social. Naquela época, o documento oficial não era apenas um registro, mas a própria manifestação da vontade do soberano, revestida de uma aura de sacralidade e imutabilidade.

Com a expansão do Império Romano, a redação oficial ganhou contornos jurídicos e administrativos que moldaram a burocracia ocidental. Os romanos introduziram o conceito de protocolo e a padronização das formas de tratamento, garantindo que uma ordem emitida em Roma fosse compreendida e obedecida com a mesma clareza nas províncias mais distantes, da Britânia ao Egito. Após a queda do império, a Igreja Católica preservou essa tradição documental, mantendo o latim como a língua oficial da diplomacia e da administração europeia por séculos. No entanto, o grande ponto de inflexão na trajetória da redação oficial ocorreu com a formação dos Estados-nações modernos e a invenção da imprensa por Gutenberg. A necessidade de governar territórios cada vez maiores e populações diversas exigiu que a linguagem administrativa se tornasse menos mística e mais técnica, embora ainda mantivesse um distanciamento elitista do povo. Atualmente, a redação oficial vive o paradigma da transparência e da clareza, buscando eliminar o “juridiquês” arcaico em favor de uma comunicação que sirva efetivamente ao cidadão, garantindo que o direito constitucional à informação seja exercido com dignidade e precisão.

O conceito de redação oficial e os pilares da impessoalidade e clareza

A redação oficial pode ser definida como a maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações internas ou externas, caracterizando-se por um conjunto de normas que garantem a formalidade, a uniformidade e a eficiência da administração. Diferente da redação literária, que permite a subjetividade e o estilo pessoal do autor, a redação oficial deve ser absolutamente impessoal. Esse princípio da impessoalidade decorre diretamente do texto constitucional brasileiro e determina que a comunicação não é feita por uma pessoa a outra, mas sim pelo Estado, em nome do interesse público, para o cidadão ou para outro órgão estatal. Na prática, isso significa que o redator deve evitar expressar sentimentos, opiniões pessoais ou utilizar um tom coloquial, mantendo sempre o foco no assunto técnico tratado e no caráter oficial da mensagem.

Um exemplo marcante da aplicação desses princípios ocorre na elaboração de um ofício. Quando um secretário municipal envia um documento a um ministro de Estado solicitando recursos para a saúde, ele não escreve como amigo ou conhecido, mas como o representante de uma instituição pública para outro representante. A linguagem deve ser sóbria e direta. A clareza é o pilar que garante que o destinatário não tenha dúvidas sobre o conteúdo da mensagem. Um documento oficial ambíguo ou confuso não é apenas uma falha linguística, mas um obstáculo ao exercício da democracia, pois pode gerar interpretações erradas de leis ou atrasar a prestação de serviços essenciais. A redação oficial moderna exige que o texto seja conciso, ou seja, que utilize o menor número possível de palavras para transmitir a maior quantidade de informações, eliminando redundâncias e floreios desnecessários que apenas obscurecem o sentido do que está sendo comunicado.

A uniformidade também é essencial para que a administração pública possua uma identidade visual e textual reconhecível. O cidadão deve identificar prontamente que aquele papel ou e-mail possui autoridade pública. Isso é garantido pelo uso de modelos padronizados para ofícios, portarias, decretos e memorandos, além do uso rigoroso do padrão culto da língua portuguesa. Embora a redação oficial utilize um nível formal de linguagem, ela não deve ser confundida com uma linguagem difícil ou inacessível. O objetivo técnico é ser compreendido por todos, desde o perito jurídico até o cidadão comum que busca um benefício social. O domínio da redação oficial é, portanto, uma competência fundamental para o servidor público, transformando-o em um facilitador da comunicação entre o Estado e a sociedade, garantindo que a vontade pública seja expressa com transparência e respeito ético.

A estrutura dos documentos oficiais e o padrão de ofício

Para garantir a organização e a rapidez no processamento das informações, a administração pública utiliza o chamado Padrão Ofício, que é o esquema básico de diagramação para a maioria das comunicações oficiais. Esse padrão uniformiza o cabeçalho, o local e a data, o endereçamento, o assunto, o texto e o fecho de cortesia. O cabeçalho deve conter o brasão de armas da República, o nome do ministério ou órgão e as demais subdivisões hierárquicas, situando o documento no organograma estatal. O assunto é uma síntese obrigatória do texto, permitindo que o destinatário identifique o tema central em poucos segundos, o que é vital para a gestão do fluxo documental em grandes instituições.

O texto do documento oficial segue geralmente uma estrutura tripartite composta por introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, o redator expõe o motivo da comunicação de forma breve. No desenvolvimento, detalham-se os argumentos, os fundamentos legais e os fatos que sustentam a solicitação ou a norma. Na conclusão, reitera-se a solicitação ou o encerramento do ato. Um exemplo cotidiano de sucesso nessa estrutura é a redação de uma portaria de nomeação. O texto deve indicar claramente quem está sendo nomeado, para qual cargo, com base em qual lei e a partir de qual data. Qualquer omissão técnica nessa estrutura pode invalidar o ato administrativo, gerando insegurança jurídica e custos para o erário. A precisão vocabular é aqui uma exigência de segurança estatal.

O endereçamento e o tratamento também possuem normas rígidas. O uso correto de vocativos como Senhor Ministro ou Vossa Excelência não é um mero capricho de etiqueta, mas o reconhecimento da hierarquia e do protocolo institucional. A redação oficial aboliu o uso de formas excessivamente bajuladoras, como Digníssimo ou Ilustríssimo, simplificando o tratamento em favor da objetividade. O fecho das comunicações também foi padronizado em apenas dois tipos: Atenciosamente, para autoridades de mesma hierarquia ou subordinados, e Respeitosamente, para autoridades superiores. Essa simplificação técnica visa reduzir a margem de erro do redator e garantir que a atenção seja focada no que realmente importa: a resolução do problema público apresentado no corpo do documento.

Gramática e o padrão culto da língua na administração

A redação oficial exige o uso rigoroso do padrão culto da língua portuguesa, o que envolve o domínio da concordância, da regência e da pontuação. Como os documentos oficiais possuem força de lei ou de prova em processos administrativos e judiciais, o erro gramatical pode levar à ambiguidade e à perda de credibilidade do órgão emissor. A norma culta não é utilizada para ostentação intelectual, mas sim porque é o código linguístico que possui maior estabilidade e compreensão em todo o território nacional. Um servidor no Acre e um em Porto Alegre devem utilizar as mesmas regras gramaticais para que a comunicação federal flua sem interferências regionais ou coloquiais que possam distorcer a aplicação de políticas públicas.

O uso correto dos pronomes de tratamento é um dos desafios técnicos da redação oficial. Deve-se lembrar que, embora o tratamento seja Vossa Excelência, a concordância verbal e pronominal deve ser feita sempre na terceira pessoa. Por exemplo, escreve-se Vossa Excelência manifestou sua opinião e não Vossa Excelência manifestastes vossa opinião. Outro ponto crítico é o uso da crase e da pontuação estratégica. Uma vírgula colocada incorretamente em um edital de licitação pode alterar completamente os critérios de habilitação de uma empresa, gerando recursos judiciais infindáveis. O redator oficial deve atuar como um revisor constante de seu próprio texto, buscando a pureza gramatical como forma de garantir a integridade da vontade estatal expressa no papel.

Além da gramática normativa, a redação oficial moderna recomenda o uso da voz ativa, que confere mais vigor e clareza ao texto. Em vez de escrever O relatório foi analisado pela comissão, prefere-se A comissão analisou o relatório. Isso identifica claramente o sujeito da ação administrativa, favorecendo a responsabilidade e a transparência. A escolha das palavras também deve evitar modismos e neologismos desnecessários. O vocabulário deve ser preciso: se o documento trata de uma rescisão, não se deve usar cancelamento se o termo jurídico correto for anulação ou revogação. A erudição técnica é bem-vinda quando necessária para a precisão do direito, mas deve estar sempre a serviço da clareza da mensagem, garantindo que o padrão culto seja o suporte e não o obstáculo à comunicação pública.

Ofício e Memorando: as ferramentas da comunicação externa e interna

Na dinâmica da administração pública, o ofício e o memorando são os dois documentos mais frequentes, servindo como os trilhos por onde circula a informação. Tradicionalmente, o memorando era utilizado para a comunicação interna entre setores de um mesmo órgão, caracterizando-se pela agilidade e simplicidade de trâmite. Já o ofício era reservado para a comunicação externa, entre diferentes órgãos ou entre o poder público e particulares. No entanto, com a publicação de novas versões do Manual de Redação da Presidência da República no Brasil, houve uma tendência de unificação dessas formas sob a denominação única de ofício, visando à simplificação burocrática sem perda da formalidade necessária.

Imagine a situação de uma prefeitura que precisa solicitar informações a uma empresa prestadora de serviços de limpeza urbana. O ofício é a peça técnica ideal. Ele deve conter a numeração sequencial e o ano de emissão, facilitando o arquivamento e a localização posterior em auditorias. No corpo do texto, deve-se fazer referência direta a contratos ou leis que justifiquem a solicitação, mantendo um tom de autoridade e solicitude profissional. Para a comunicação interna, mesmo com a unificação de nomes, a essência do memorando permanece na necessidade de rapidez. Comunicações sobre horários de reuniões, avisos de manutenção ou pedidos de materiais de escritório devem ser breves e diretos, economizando o tempo dos servidores envolvidos.

O uso do ofício circular é uma variação técnica importante para quando o mesmo conteúdo deve ser enviado a diversos destinatários simultaneamente. Por exemplo, uma Secretaria de Educação que envia novas diretrizes curriculares para todas as escolas da rede utiliza o ofício circular para garantir a isonomia da informação. A gestão desses documentos exige um controle rigoroso de fluxo, com o registro de entrada e saída (protocolo). Em um ambiente ético, a redação de ofícios e memorandos deve prezar pela verdade e pela cortesia, mesmo em comunicações que envolvam cobranças ou sanções. O documento oficial é a voz do Estado e, como tal, deve ser firme na lei e impecável na forma, garantindo que a engrenagem administrativa gire com precisão e respeito aos direitos de todos os envolvidos.

Atos normativos: decretos, resoluções e portarias

Os atos normativos são a materialização do poder regulamentador do Estado, servindo para detalhar leis e organizar o funcionamento interno das instituições. Enquanto o Poder Legislativo cria as leis gerais, o Poder Executivo utiliza decretos, resoluções e portarias para dizer como essas leis serão aplicadas na prática. A redação desses atos exige um rigor técnico superior, pois qualquer erro de redação pode ferir o princípio da legalidade. O decreto é privativo dos chefes do executivo (Presidente, Governadores e Prefeitos) e serve para regulamentar leis ou tratar de organização administrativa. Já as portarias são atos emitidos por autoridades inferiores, como ministros ou secretários, para dar ordens internas ou nomear servidores.

Um exemplo prático de ato normativo é a portaria que institui uma comissão de sindicância em uma repartição. O texto deve ser estruturado com o preâmbulo, contendo a autoridade emissora e o fundamento legal que lhe confere esse poder (a competência). Segue-se a parte dispositiva, dividida em artigos, parágrafos e incisos, onde se detalham os objetivos da comissão, os nomes dos integrantes e o prazo para conclusão dos trabalhos. A redação normativa não admite adjetivos desnecessários ou explicações sentimentais; ela é a expressão pura do comando administrativo. O uso da numeração articulada (Artigo 1º, § 1º) garante que cada regra possa ser citada e localizada com precisão cirúrgica em contestações ou relatórios.

As resoluções são comumente emitidas por colegiados ou conselhos técnicos e possuem caráter normativo sobre temas específicos da área de atuação. A redação de resoluções deve levar em conta o debate técnico que as precedeu, refletindo o consenso da comissão. O redator de atos normativos atua como um engenheiro do direito, garantindo que a nova norma não entre em conflito com as normas superiores (princípio da hierarquia das leis). O conhecimento das técnicas legislativas — como a forma de alteração de textos antigos ou a revogação de dispositivos obsoletos — é essencial para manter a ordem e a coerência do ordenamento jurídico administrativo, evitando que o excesso de normas confusas paralise a gestão pública.

A clareza no combate ao “Juridiquês” e ao distanciamento burocrático

Um dos maiores desafios da redação oficial contemporânea é a superação do “juridiquês” e da linguagem excessivamente rebuscada que historicamente marcou a burocracia estatal. Durante séculos, acreditou-se que escrever difícil era sinal de autoridade e conhecimento superior. Termos como “outrossim”, “pelo presente”, “data vênia” e o uso excessivo de latinismos criavam uma barreira intransponível para o cidadão comum, transformando a administração pública em uma casta isolada. A nova tendência da redação oficial, impulsionada por movimentos de “Linguagem Simples” em governos de todo o mundo, defende que a verdadeira eficiência reside na facilidade com que a mensagem é decodificada pelo seu destinatário final.

A adoção da linguagem clara não significa empobrecer o vocabulário ou abandonar a norma culta, mas sim escolher as palavras mais usuais e as estruturas frasais mais diretas. Em vez de escrever No aguardo de vossa manifestação sobre o epigrafado, o redator moderno pode escrever Aguardamos sua resposta sobre este assunto. A mensagem é a mesma, mas o distanciamento burocrático é reduzido. Um exemplo de impacto social dessa mudança ocorre em editais de concursos e programas de assistência. Quando o texto é escrito de forma acessível, as pessoas conseguem entender seus deveres e direitos sem precisar contratar advogados ou intermediários para traduzir o óbvio. A clareza documental é, em última análise, um instrumento de desburocratização e inclusão social.

O combate ao rebuscamento excessivo também envolve a eliminação de clichês e arcaísmos que apenas poluem o texto. Expressões como “venho por meio deste” são redundantes, pois o documento em si já é o meio de comunicação. A redação oficial técnica de alta qualidade foca na precisão: se o assunto é o pagamento de um bônus, fale em bônus e não em “benesse pecuniária”. O servidor que redige com clareza demonstra respeito pela inteligência do cidadão e pela agilidade dos processos estatais. Ao humanizar a linguagem administrativa, a redação oficial deixa de ser um instrumento de poder excludente para se tornar uma ponte de diálogo, fortalecendo a confiança entre a sociedade e as instituições democráticas.

Redação Oficial na era digital: e-mail e sistemas de gestão

A revolução digital alterou profundamente o suporte da redação oficial, substituindo o papel pelos sistemas de processo eletrônico e pelo correio eletrônico institucional. No entanto, a mudança de suporte não alterou a necessidade de formalidade e padronização. O e-mail oficial não é uma mensagem de WhatsApp; ele deve seguir as mesmas regras de impessoalidade e clareza de um documento impresso. O campo “Assunto” ganha importância redobrada no ambiente digital, devendo conter informações precisas para a filtragem e organização na caixa de entrada do destinatário, como por exemplo: Ofício 123/2023 – Solicitação de Manutenção – Secretaria de Obras.

A estrutura do e-mail oficial deve conter saudação inicial, texto objetivo, fecho de cortesia e assinatura institucional com nome, cargo e órgão. É terminantemente proibido o uso de emoticons, abreviações coloquiais (como “vc” ou “abs”) ou fundos coloridos em e-mails profissionais da administração pública. Um exemplo de erro comum é a falta de cuidado com a privacidade e a segurança dos dados. O servidor deve estar atento para não copiar pessoas desnecessárias na comunicação e para utilizar corretamente os campos de cópia oculta (Cco) quando enviar informações a grupos externos, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A agilidade do digital não deve servir de desculpa para a negligência técnica.

Os sistemas de gestão documental (como o SEI ou similares) exigem que a redação oficial seja pensada para a indexação eletrônica. O uso de palavras-chave corretas e a preenchimento fiel dos metadados facilitam a transparência pública e o acesso via Lei de Acesso à Informação. Além disso, a assinatura digital certificada substituiu a rubrica manual, conferindo validade jurídica e integridade aos documentos em todo o território nacional. A redação oficial digital permite que um documento percorra diferentes instâncias de aprovação em minutos, mas essa rapidez exige do redator uma atenção dobrada na revisão, pois um erro publicado eletronicamente espalha-se com a mesma velocidade que a informação correta. A tecnologia é a aliada da eficiência, mas a qualidade do texto continua dependendo exclusivamente da competência humana do servidor redator.

Ética, transparência e o papel do servidor como redator

A redação de documentos oficiais é, acima de tudo, um ato de responsabilidade ética. O servidor que assina ou redige uma comunicação pública detém uma fração do poder do Estado e deve utilizá-la para promover a justiça e o bem comum. A integridade na redação oficial manifesta-se na fidedignidade dos fatos narrados. Adulterar datas, omitir informações relevantes para favorecer terceiros ou utilizar termos ambíguos para ocultar falhas administrativas são infrações éticas graves que ferem o princípio da moralidade pública. A redação oficial deve ser o espelho da transparência, permitindo que qualquer cidadão ou órgão de controle entenda a motivação e a base legal de cada ato administrativo.

O papel do servidor como redator exige também o compromisso com a impessoalidade, garantindo que o documento não seja utilizado para promoção pessoal de autoridades ou para perseguições políticas. Um exemplo de conduta ética na redação oficial é a atenção especial dada às respostas ao cidadão. Quando a administração pública nega um pedido, o documento oficial deve explicar claramente os motivos legais da negativa, oferecendo as orientações necessárias para que o cidadão possa recorrer ou sanar as pendências. Tratar o público com cortesia verbal e precisão técnica é uma forma de garantir a dignidade da pessoa humana perante a máquina estatal.

Além disso, a redação oficial ética busca a inclusão, evitando qualquer linguagem discriminatória de gênero, raça ou orientação social. O uso de termos que reforcem preconceitos ou que marginalizem grupos específicos é inadmissível em um Estado Democrático de Direito. O servidor deve atuar como um guardião da imparcialidade comunicativa, garantindo que o texto oficial acolha a todos com igualdade. A redação oficial técnica de excelência não é apenas sobre concordância verbal, mas sobre a concordância com os valores éticos que sustentam a República. Ao redigir com rigor e moralidade, o servidor público valoriza sua própria profissão e contribui para a construção de uma administração pública mais eficiente, humana e respeitada.

Padrões de diagramação e o Manual de Redação da Presidência

O Manual de Redação da Presidência da República é a “bíblia” técnica da redação oficial no Brasil, servindo de guia para todos os órgãos da administração direta e indireta. Ele define padrões milimétricos de diagramação que podem parecer excessivos, mas que servem para garantir a harmonia e a leitura ergonômica dos documentos. O manual especifica desde o tipo e tamanho da fonte (geralmente Calibri ou Arial, tamanho 12) até as margens de segurança (esquerda de 3 cm e direita de 1,5 cm) e o espaçamento entre linhas. Essas normas garantem que o documento possua espaço para furos de arquivamento, carimbos de protocolo e anotações marginais sem prejuízo da legibilidade do texto.

A numeração das páginas e a identificação do expediente no rodapé ou no topo também são padronizadas. Imagine a confusão em um processo judicial se cada página de um órgão público tivesse um layout diferente ou se não houvesse indicação clara de continuidade de um texto longo. Os padrões de diagramação transformam a massa documental em um sistema organizado de informações. Um exemplo prático da aplicação do manual é a redação de anexos. O redator deve identificar claramente que o documento B é anexo do documento A, fazendo as referências cruzadas necessárias para que o conjunto da obra administrativa seja coerente e fácil de manusear por auditores e cidadãos.

A evolução constante do manual reflete as mudanças tecnológicas e sociais. As edições mais recentes simplificaram o padrão de ofício e incluíram capítulos inteiros sobre a redação em portais governamentais e redes sociais institucionais. O profissional que domina as normas do manual ganha autoridade técnica, pois seu trabalho flui sem interrupções por falhas formais. A padronização não mata a criatividade, mas canaliza a energia do redator para o conteúdo, garantindo que a forma seja o suporte invisível e eficiente da mensagem estatal. Estudar o manual é o primeiro passo para qualquer pessoa que deseje atuar com excelência no setor público, transformando a prática da escrita em um exercício de rigor científico e profissionalismo.

Conclusão: a missão da palavra oficial no serviço público

Ao concluirmos este percurso pelos fundamentos e técnicas da redação oficial, percebemos que esta disciplina é muito mais do que um conjunto de regras gramaticais e modelos de documentos. Ela é a materialização do compromisso do Estado com a verdade, a ordem e o respeito ao cidadão. Percorremos desde a história das primeiras inscrições administrativas até as fronteiras da comunicação digital e da linguagem simples, compreendendo que a excelência na redação é um requisito inegociável para a gestão pública moderna. A palavra oficial carrega o peso da autoridade e a responsabilidade da transparência, sendo o fio condutor que une as decisões governamentais à realidade da vida social.

A jornada do redator oficial exige vigilância constante, estudo da língua e uma profunda sensibilidade ética. Que os conhecimentos técnicos e as diretrizes formais aqui compartilhados sirvam de base para que você atue como um agente de clareza e eficiência em sua realidade profissional. Lembre-se que cada documento que você redige, cada e-mail oficial que você envia e cada ato normativo que você organiza contribui para o fortalecimento das instituições brasileiras. Escrever bem na administração pública é um ato de patriotismo técnico e de respeito aos direitos fundamentais de todos os cidadãos que dependem da informação clara para exercer sua liberdade.

Encerramos este ciclo reforçando que o futuro da redação oficial está na união entre a precisão da tecnologia e a humanidade da linguagem. Que sua prática seja sempre guiada pelo desejo de ser compreendido e pela honestidade de informar com rigor. O mundo da burocracia está se transformando em um mundo de serviços digitais e transparentes, e você está agora devidamente equipado para ser um dos protagonistas dessa evolução. Siga em frente em seus estudos, mantenha o manual de redação como seu companheiro constante e nunca subestime o poder de um texto bem escrito para mudar a realidade pública e construir um Estado mais justo e eficiente para todos. Boa sorte em sua jornada profissional no universo da redação oficial!

Ficamos por aqui…

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Desejamos a você todo o sucesso do mundo. Até o próximo curso!

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