⭐⭐⭐⭐⭐ 187.205 🌐 Português
Criado por: Fernando Henrique Kerchner
Olá, caro aluno! Tudo bem?
Vire o seu dispositivo na vertical para
uma melhor experiência de estudo.
Bons estudos! =)
💼 Processos Seletivos (Vagas de emprego)
🏆 Prova de Títulos (Empresa)
👩🏫 Atividades Extras (Faculdade)
📝 Pontuação (Concursos Públicos)
Não há cadastros ou provas. O aluno apenas estuda o material abaixo e se certifica por isso.
Ao final da leitura, adquira os 10 certificados deste curso por apenas R$47,00.
Você recebe os certificados em PDF por e-mail em 5 minutinhos.
Bons estudos!
Formações complementares são excelentes para processos seletivos, provas de títulos na empresa, entrega de horas extracurriculares na faculdade e pontuação em concursos públicos.

Para compreendermos o atendimento ao cliente como o conhecemos na contemporaneidade, é imperativo realizarmos uma viagem no tempo, muito antes da existência de serviços de atendimento ao consumidor, sistemas digitais ou qualquer forma de tecnologia de comunicação instantânea.
Nossa jornada se inicia nas primeiras civilizações, nos mercados pulsantes da Mesopotâmia, nos portos estratégicos dos fenícios, na ágora grega e no fórum romano. Nestes locais, o comércio não era visto como uma transação anônima e puramente mecânica, mas sim como um evento social profundo, enraizado em relações humanas e, acima de tudo, na construção de uma reputação sólida. Naquela época, a palavra de um comerciante e a qualidade de seu trabalho eram os únicos ativos que garantiam a continuidade de seus negócios, pois em comunidades menores e conectadas, uma falha no atendimento ou na qualidade do produto se espalhava rapidamente, podendo arruinar uma oficina ou taberna em pouco tempo.
Imagine, por exemplo, um artesão especializado em sandálias de couro na Roma Antiga. Sua oficina não funcionava apenas como um ponto de venda, mas como uma extensão de sua própria identidade e honra. Cada par de sandálias carregava uma assinatura invisível de seu criador. Se a qualidade fosse excepcional, com costuras firmes e couro bem tratado, o cliente, que poderia ser um legionário ou um comerciante influente, não apenas retornaria para futuras compras, mas se tornaria o principal canal de divulgação daquele serviço. Ele elogiaria o trabalho do artesão para seus pares, consolidando uma reputação que valia muito mais do que as moedas de bronze trocadas no ato da venda. Por outro lado, um atendimento ríspido ou um produto defeituoso resultaria no ostracismo comercial, pois a confiança era a base de todas as trocas. Esse modelo de atendimento era personalizado, direto e baseado no conhecimento mútuo entre as partes.
Com o passar dos séculos e a chegada da Idade Média, o surgimento das corporações de ofício refinou ainda mais essa busca pela excelência. Mestres artesãos estabeleciam padrões rigorosos de qualidade para seus aprendizes, entendendo que o bom atendimento e a entrega de um produto superior eram fundamentais para a proteção do mercado e da classe. O cliente era recebido de forma individualizada, e a produção muitas vezes era feita sob medida, permitindo um nível de interação e satisfação que hoje tentamos replicar com o uso de algoritmos, mas que naquela época ocorria de forma natural e humana. Esse período histórico nos ensina que a qualidade no atendimento não é uma invenção da era moderna, mas uma necessidade humana de conexão, confiança e valorização mútua que acompanha o desenvolvimento da própria civilização.
A chegada da Revolução Industrial no século dezoito e dezenove provocou uma transformação sísmica na forma como os produtos eram fabricados e, consequentemente, em como o atendimento era prestado. Com a introdução da produção em larga escala e das linhas de montagem, o foco das organizações deslocou-se da qualidade artesanal e do relacionamento próximo para a eficiência produtiva e a redução de custos. As mercadorias tornaram-se padronizadas e anônimas, e o contato entre quem fabricava e quem consumia foi drasticamente reduzido. Nesse novo cenário, o cliente passou a ser visto muitas vezes apenas como um número em uma planilha de vendas, e o atendimento individualizado deu lugar a processos de massa, onde o objetivo era vender o máximo possível para o maior número de pessoas, com o mínimo de interação humana necessária.
Um exemplo prático dessa mudança pode ser observado na indústria automobilística do início do século vinte, com o advento do Fordismo. Henry Ford famosamente dizia que o cliente poderia ter o carro da cor que quisesse, desde que fosse preto. Essa mentalidade ilustra a prioridade absoluta da produção sobre a preferência ou a satisfação individual do consumidor. O atendimento, que antes era uma conversa entre vizinhos ou conhecidos, tornou-se um processo burocrático e distante. Se um produto apresentasse defeito, o consumidor tinha poucas opções de recurso, pois as empresas eram grandes demais e os processos de reclamação eram inexistentes ou extremamente ineficientes. Essa era foi marcada por um desequilíbrio de poder, onde o produtor ditava as regras e o consumidor tinha um papel passivo de aceitação.
No entanto, essa despersonalização acabou gerando um vácuo de insatisfação que prepararia o terreno para a próxima grande evolução. À medida que os mercados tornaram-se saturados e a concorrência aumentou, as empresas começaram a perceber que apenas produzir em massa não era mais suficiente para garantir a liderança. O diferencial competitivo começou a migrar novamente para a forma como o cliente era tratado. Surgiram as primeiras grandes lojas de departamento, como a Marshall Field’s nos Estados Unidos, cujo fundador imortalizou a frase de que o cliente tem sempre razão. Essa mudança de postura sinalizava o início de um retorno à valorização do consumidor, mas agora em uma escala industrial, exigindo a criação de sistemas e departamentos específicos para lidar com as queixas e necessidades do público, dando origem aos primeiros embriões do que hoje chamamos de serviço de atendimento ao cliente.
A partir da segunda metade do século vinte, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, o mundo presenciou um crescimento vertiginoso do setor de serviços e uma mudança profunda no comportamento do consumidor. Com mais opções de escolha e um acesso crescente à informação, os clientes tornaram-se mais exigentes e conscientes de seus direitos. As empresas perceberam que conquistar um novo cliente era muito mais caro do que manter um cliente atual, o que impulsionou o nascimento do marketing de relacionamento. O foco deixou de ser apenas a transação única de venda e passou a ser o valor do cliente ao longo do tempo. Atender bem deixou de ser um “luxo” de pequenas boutiques para se tornar uma estratégia de sobrevivência para multinacionais.
Nesse período, a qualidade no atendimento passou a ser medida de forma mais científica e estruturada. Surgiram conceitos como o de “momento da verdade”, popularizado por Jan Carlzon na companhia aérea SAS, que definia que cada interação entre o cliente e um funcionário da empresa era uma oportunidade de ouro para criar uma percepção de valor ou destruir a reputação da marca. Um exemplo cotidiano dessa teoria aplicada é o check-in em um hotel: a forma como o recepcionista cumprimenta o hóspede, a agilidade no processo e a atenção aos detalhes podem definir se aquela pessoa retornará ou se fará uma propaganda negativa para seu círculo social. A qualidade passou a ser entendida como o atendimento ou superação das expectativas do cliente, e não apenas a ausência de defeitos no produto físico.
A era dos serviços também trouxe a profissionalização das equipes de linha de frente. O treinamento em habilidades comportamentais, como empatia, escuta ativa e resolução de problemas, tornou-se obrigatório. As empresas começaram a investir em tecnologias como o telefone e, posteriormente, os sistemas de CRM para registrar o histórico de interações e oferecer um atendimento mais personalizado. O cliente passou a ser o centro das estratégias organizacionais, e o atendimento de excelência foi elevado ao status de principal diferencial competitivo. Em um mundo onde os produtos físicos tornam-se cada vez mais parecidos em termos de funcionalidade e preço, a forma como a empresa faz o cliente se sentir durante a jornada de compra tornou-se o fator decisivo para a fidelização.
A virada para o século vinte e um trouxe a revolução digital, que transformou radicalmente, mais uma vez, a dinâmica entre marcas e consumidores. A internet deu voz aos clientes através das redes sociais e sites de avaliação, transformando o “boca a boca” local em um fenômeno global e instantâneo. Se antes o artesão romano temia a má fama na sua vila, a empresa moderna agora teme um comentário viral negativo que pode ser visto por milhões de pessoas em poucos minutos. A transparência tornou-se a regra, e a qualidade no atendimento passou a ser monitorada em tempo real pelo público. Essa democratização da informação forçou as empresas a serem mais ágeis, honestas e eficientes em suas interações.
Nesse contexto, surgiu o conceito de onicanalidade ou omnichannel, que exige que a empresa ofereça uma experiência fluida e integrada em todos os pontos de contato, seja na loja física, no site, no aplicativo, no WhatsApp ou nas redes sociais. O consumidor moderno não enxerga barreiras entre o online e o offline; ele deseja começar uma conversa em um canal e terminá-la em outro sem ter que repetir suas informações. Um exemplo prático dessa integração é quando um cliente compra um par de sapatos pelo site, mas decide trocá-los em uma loja física próxima de sua casa. Se a loja não tiver acesso ao histórico da compra online ou dificultar o processo, a experiência de atendimento será percebida como falha, independentemente da cortesia do vendedor.
A tecnologia também permitiu a automação do atendimento através de chatbots e inteligência artificial, o que trouxe agilidade para dúvidas simples e repetitivas. No entanto, o grande desafio da era digital é não perder o toque humano. As empresas de maior sucesso são aquelas que conseguem equilibrar a eficiência tecnológica com a capacidade de oferecer empatia e criatividade em casos complexos. O atendimento de qualidade hoje não é apenas sobre responder rápido, mas sobre ser relevante, personalizado e proativo. O uso de dados permite prever as necessidades do cliente antes mesmo que ele as sinta, transformando o suporte em uma ferramenta de encantamento e não apenas de correção de erros.
Atualmente, vivemos na era da experiência do cliente, onde o atendimento de excelência é a base de modelos de negócio inteiros, como observamos em empresas como a Disney ou a Amazon. O consumidor contemporâneo não busca apenas um produto funcional; ele busca uma jornada que seja fácil, agradável e, se possível, memorável. A personalização tornou-se a expectativa padrão. O cliente deseja ser tratado como um indivíduo único, com preferências e históricos reconhecidos pela marca. Graças ao processamento de grandes volumes de dados, as empresas agora podem oferecer essa personalização em escala, tratando milhões de clientes de forma individualizada através de recomendações precisas e comunicações segmentadas.
Um exemplo notável de personalização é o uso de algoritmos em plataformas de streaming, que sugerem conteúdos baseados exatamente no comportamento anterior do usuário. No atendimento direto, isso se reflete em atendentes que têm acesso a todo o histórico de interações, permitindo que eles saúdem o cliente pelo nome e já saibam de problemas anteriores, evitando o desgaste da repetição. A qualidade no atendimento migrou de um esforço reativo de “apagar incêndios” para uma estratégia proativa de sucesso do cliente. As empresas investem agora em departamentos que monitoram se o cliente está realmente obtendo valor do produto, intervindo antes que uma insatisfação ocorra.
Ser centrado no cliente exige uma mudança cultural profunda dentro das organizações. Não basta ter um departamento de atendimento treinado se as outras áreas, como logística, financeiro e desenvolvimento de produtos, não tiverem a mesma mentalidade de servir ao consumidor. Todos os funcionários devem entender como seu trabalho impacta a percepção final do cliente. A qualidade, portanto, deixou de ser uma meta isolada para se tornar o DNA da empresa. O atendimento memorável é aquele que resolve o problema com agilidade, mas que também demonstra que a empresa se importa genuinamente com o bem-estar daquela pessoa, transformando uma transação comercial em um vínculo de confiança duradouro.
Em um mundo saturado de tecnologia e interações automatizadas, a empatia emergiu como o diferencial humano mais valioso na qualidade do atendimento. A capacidade de se colocar no lugar do outro, compreender suas dores, frustrações e necessidades, é o que transforma um atendimento comum em uma experiência de acolhimento. A empatia não significa apenas ser educado ou usar palavras cordiais, mas sim validar o sentimento do cliente e demonstrar um compromisso real em resolver sua situação. Quando um consumidor entra em contato com uma empresa por causa de um problema, ele muitas vezes está emocionalmente abalado, e o primeiro passo para a solução é o alinhamento emocional através da escuta atenta.
Um exemplo prático da aplicação da empatia ocorre em situações de atraso na entrega de um presente importante. O atendente que apenas informa que o prazo foi estendido por razões logísticas está sendo técnico e frio. Já o atendente empático entende a importância daquela data e busca alternativas, como um envio expresso ou um crédito compensatório, demonstrando que compreende a frustração do cliente. Esse tipo de interação humanizada cria defensores da marca, pois as pessoas tendem a perdoar erros operacionais quando sentem que a empresa as tratou com respeito e humanidade. O treinamento de equipes de atendimento deve focar intensamente no desenvolvimento dessa habilidade, ensinando técnicas de comunicação não violenta e inteligência emocional.
A empatia também deve ser aplicada de forma proativa. Ao analisar a jornada do cliente, a empresa pode identificar pontos de atrito que causam desconforto e agir preventivamente para eliminá-los. Se o processo de devolução de um produto é burocrático e difícil, a empresa está demonstrando falta de empatia com o tempo e o esforço do consumidor. Simplificar processos é uma forma de demonstrar cuidado. A qualidade no atendimento, portanto, é a manifestação prática do respeito que a organização tem pelo seu público. Quando a empatia permeia todas as interações, o atendimento deixa de ser um custo operacional para se tornar uma fonte poderosa de fidelização e propaganda espontânea.
A agilidade na resolução de problemas é um dos fatores que mais impactam o índice de satisfação do cliente na era moderna. Vivemos em um tempo de gratificação instantânea, onde a paciência dos consumidores é limitada. Quando um problema surge, a rapidez com que a empresa responde e resolve a situação pode transformar uma experiência negativa em um momento de lealdade extrema, fenômeno conhecido como o paradoxo da recuperação do serviço. Um cliente cujo problema foi resolvido de forma brilhante e rápida muitas vezes torna-se mais fiel do que aquele que nunca teve um problema, pois ele pôde testar a eficiência e o compromisso da marca sob pressão.
Para alcançar essa agilidade, as empresas precisam empoderar seus funcionários de linha de frente. Se um atendente precisa pedir autorização para cada pequena concessão ou solução, o tempo de resposta aumenta e a frustração do cliente se intensifica. Um exemplo de excelência nesse quesito é a rede de hotéis Ritz-Carlton, que famosamente concede a cada funcionário uma verba discricionária para resolver problemas dos hóspedes imediatamente, sem necessidade de consultar gerentes. Isso permite que uma situação desagradável, como um prato que veio errado, seja resolvida instantaneamente com um pedido de desculpas e um mimo adicional, encantando o cliente no exato momento da falha.
Além da autonomia, a agilidade depende de processos internos bem azeitados e de tecnologia integrada. O acesso fácil a informações, a automação de etapas burocráticas e a comunicação fluida entre departamentos são fundamentais para que o suporte seja rápido. A qualidade no atendimento não aceita o “vou verificar e retorno em dois dias” quando o cliente sabe que a informação está a um clique de distância. Ser ágil é demonstrar valor ao tempo do cliente. A empresa que resolve o problema no primeiro contato economiza recursos e eleva sua percepção de competência, consolidando-se como uma marca confiável em um mercado cada vez mais volátil e impaciente.
A base de qualquer atendimento de qualidade é a comunicação clara e transparente. Grande parte das insatisfações dos clientes nasce de falhas na comunicação ou de promessas que não foram cumpridas, gerando um descompasso entre a expectativa criada e a realidade entregue. Gerir expectativas é a arte de prometer o que se pode cumprir e, sempre que possível, entregar um pouco mais (under-promise and over-deliver). Quando uma empresa é honesta sobre seus prazos, limitações e processos, ela constrói um terreno de confiança que suporta melhor eventuais imprevistos. A clareza deve estar presente desde o marketing e as vendas até o suporte pós-venda.
Um exemplo prático de má gestão de expectativas ocorre quando um serviço de entrega promete a chegada do produto em vinte e quatro horas, sabendo que a média logística é de três dias apenas para atrair o comprador. Mesmo que o produto chegue em quarenta e oito horas, o cliente ficará insatisfeito porque a expectativa inicial foi frustrada. Se a empresa tivesse prometido quatro dias e entregue em dois, o sentimento seria de surpresa positiva. A qualidade no atendimento exige o uso de uma linguagem simples, direta e desprovida de jargões técnicos que possam confundir o consumidor. O cliente deve entender exatamente o que está comprando e como o suporte funcionará se ele precisar.
Manter o cliente informado durante todo o processo é outra forma de comunicação eficaz. No e-commerce, o envio de notificações automáticas sobre o status do pedido reduz a ansiedade e demonstra proatividade. Se houver um atraso, informar o cliente antes que ele venha reclamar é um sinal de respeito e transparência. A comunicação proativa desarma conflitos e demonstra que a empresa está no controle da situação. Atender bem é garantir que o cliente nunca se sinta “no escuro” em relação à sua transação ou solicitação. A clareza elimina ruídos, evita retrabalho e é o alicerce para uma relação comercial madura e duradoura.
A ética e a integridade são os pilares morais da qualidade no atendimento. Em um mercado onde os dados pessoais são o novo petróleo e a persuasão muitas vezes beira a manipulação, manter princípios éticos claros é fundamental para a sustentabilidade da marca a longo prazo. O atendimento ético é aquele que prioriza a verdade sobre a venda fácil, que respeita a privacidade do consumidor e que assume seus erros de forma transparente, sem tentar ocultar falhas ou culpar o cliente. A integridade gera uma reputação que resiste às crises, enquanto a falta dela pode destruir uma empresa em questão de dias após uma revelação negativa vir à tona.
Um exemplo de dilema ético no atendimento ocorre quando um vendedor percebe que o produto que o cliente deseja não é o mais adequado para a necessidade dele. O atendimento de qualidade superior orienta o cliente para a melhor solução, mesmo que isso signifique uma venda menor no curto prazo. Essa postura consultiva constrói uma autoridade moral que fará o cliente retornar e indicar a empresa por confiar em sua orientação. Vender por vender é uma estratégia de curto fôlego; servir com integridade é construir um patrimônio de confiança. A ética também se manifesta no tratamento de dados sensíveis, onde a transparência sobre como as informações são usadas é um direito inegociável do consumidor moderno.
Além disso, a integridade exige que a empresa cumpra rigorosamente o que está estabelecido no Código de Defesa do Consumidor e em seus próprios termos de serviço. Tentar dificultar cancelamentos, esconder taxas ou criar processos de reembolso impossíveis são práticas antiéticas que geram um profundo desgaste na imagem da marca. A qualidade no atendimento é, em última instância, uma questão de caráter organizacional. Empresas éticas atraem colaboradores éticos, criando um ciclo virtuoso de respeito e profissionalismo. Em um mundo cada vez mais atento à responsabilidade social e governança, a integridade no trato com o cliente é a melhor política de proteção e crescimento que uma organização pode adotar.
Para garantir a melhoria contínua na qualidade do atendimento, é essencial medir o desempenho através de métricas que reflitam a real percepção e experiência do consumidor. Tradicionalmente, as empresas focavam em métricas de eficiência interna, como o tempo médio de atendimento (TMA) ou o número de chamados resolvidos por hora. Embora úteis para a gestão operacional, essas métricas não dizem se o cliente saiu satisfeito. A evolução do atendimento trouxe indicadores mais focados na experiência, como o Net Promoter Score (NPS), que mede a lealdade e a probabilidade de recomendação, e o Customer Satisfaction Score (CSAT), que avalia a satisfação com uma interação específica.
Outra métrica fundamental na atualidade é o Customer Effort Score (CES), que mede o nível de esforço que o cliente teve que fazer para resolver seu problema. A premissa é simples: o cliente valoriza a facilidade. Se ele precisou ligar cinco vezes e falar com dez pessoas diferentes, o esforço foi alto e a qualidade percebida será baixa, mesmo que o problema tenha sido resolvido ao final. Reduzir o esforço do cliente é um dos caminhos mais curtos para a fidelização. Um exemplo prático de redução de esforço é a implementação de FAQs inteligentes e portais de autoatendimento eficientes, que permitem ao cliente resolver questões simples de forma autônoma e rápida.
No entanto, as métricas quantitativas devem sempre ser acompanhadas por análises qualitativas. O feedback direto do cliente, colhido através de pesquisas de satisfação ou monitoramento de redes sociais, oferece insights valiosos que os números sozinhos não revelam. Ouvir a “voz do cliente” permite identificar gargalos nos processos, falhas em produtos e oportunidades de inovação. A qualidade no atendimento exige uma cultura de dados, onde as decisões são tomadas com base em evidências do que realmente importa para o consumidor. Medir é o primeiro passo para gerenciar, e gerenciar com foco no cliente é o caminho para a excelência e para a vantagem competitiva sustentável.
A tecnologia pode facilitar o atendimento, mas são as pessoas que entregam a qualidade. Por trás de cada interação, existe um colaborador cujas habilidades, motivação e alinhamento com a cultura da empresa definem o sucesso da experiência do cliente. O investimento em treinamento contínuo é, portanto, indispensável. Esse treinamento deve ir além do conhecimento técnico do produto e abranger as chamadas soft skills, como resiliência para lidar com clientes difíceis, criatividade na solução de problemas e, fundamentalmente, a habilidade de se comunicar de forma clara e empática. O atendente é a face da marca para o consumidor, e seu preparo reflete o compromisso da organização com a excelência.
Para que o atendimento seja genuinamente de qualidade, ele deve ser sustentado por uma cultura organizacional que valorize o cliente e o próprio funcionário. É a teoria do “service-profit chain”: funcionários satisfeitos e bem treinados entregam um serviço superior, o que gera clientes satisfeitos e leais, resultando em maior lucratividade. Um exemplo de cultura forte é a da Zappos, que famosamente prioriza o encaixe cultural em suas contratações e oferece bônus para quem decidir sair após o treinamento inicial, garantindo que apenas os verdadeiramente comprometidos permaneçam. Uma cultura que empodera e respeita o colaborador cria um ambiente onde o atendimento de excelência ocorre de forma orgânica e não forçada.
Além disso, a liderança desempenha um papel crucial ao dar o exemplo. Se os gestores não demonstram foco no cliente em suas decisões diárias, as equipes de linha de frente dificilmente o farão. A qualidade deve ser celebrada e recompensada dentro da empresa. Reconhecer publicamente um atendente que superou as expectativas para ajudar um cliente reforça os comportamentos desejados em toda a organização. Atender bem é uma escolha diária que exige suporte institucional, ferramentas adequadas e um propósito compartilhado. Quando as pessoas se sentem parte de algo maior e percebem que seu trabalho faz a diferença na vida dos clientes, a qualidade no atendimento torna-se uma consequência natural do engajamento e do orgulho profissional.
Ao olharmos para o futuro, o atendimento ao cliente continuará sendo moldado por avanços tecnológicos impressionantes, como a inteligência artificial generativa, a realidade aumentada e a internet das coisas. Essas tecnologias permitirão um atendimento ainda mais preditivo e onipresente, onde as empresas poderão resolver problemas antes mesmo que o cliente perceba que eles existem. Imagine uma geladeira inteligente que detecta um problema técnico e agenda automaticamente a visita de um técnico, ou um assistente virtual que conversa de forma tão fluida e empática que o cliente se sente perfeitamente acolhido sem intervenção humana imediata. No entanto, o grande desafio desse futuro tecnológico será preservar a essência da humanização.
A tecnologia deve servir para liberar o ser humano de tarefas repetitivas e burocráticas, permitindo que os profissionais de atendimento foquem no que as máquinas ainda não conseguem replicar: o julgamento ético complexo, a empatia profunda em momentos de crise e a capacidade de criar conexões emocionais genuínas. O atendimento do futuro será uma simbiose entre a precisão da inteligência artificial e a sensibilidade humana. As empresas que vencerem serão aquelas que usarem a tecnologia para serem mais humanas, e não para se esconderem atrás de robôs frios e menus infinitos. A qualidade, no final das contas, sempre retornará àquela base fundamental das civilizações antigas: a reputação construída através da confiança e do respeito mútuo.
O profissional do futuro no atendimento precisará ser um analista de dados e, simultaneamente, um mestre da inteligência emocional. Ele precisará abraçar a mudança contínua e estar em constante aprendizado. A qualidade no atendimento é uma jornada, não um destino final. À medida que as expectativas dos consumidores evoluem e as tecnologias se transformam, as organizações devem manter-se ágeis e humildes para ouvir e se adaptar. O compromisso inabalável com a satisfação do cliente, pautado pela ética, agilidade e empatia, continuará sendo a bússola que guiará as empresas de sucesso através de qualquer revolução tecnológica ou mudança de mercado. O atendimento de excelência é, e sempre será, a forma mais poderosa de demonstrar valor ao ser humano no mundo dos negócios.
Esperamos que tenha gostado deste curso online complementar.
Agora você pode solicitar o certificado de conclusão em seu nome.
Os certificados complementares são ideais para processos seletivos, promoção interna, entrega de horas extracurriculares obrigatórias da faculdade e para pontuação em concursos públicos.
Eles são reconhecidos e válidos em todo o país. Após emissão do certificado, basta baixá-lo e imprimi-lo ou encaminhar diretamente para a Instituição interessada (empresa, faculdade ou órgão público).
Desejamos a você todo o sucesso do mundo. Até o próximo curso!