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A jornada pela Comunicação Suplementar e Alternativa, amplamente reconhecida pela sigla CSA, representa um dos capítulos mais humanitários e tecnologicamente vibrantes da história da educação inclusiva e da acessibilidade comunicativa. Para compreendermos a profundidade desta disciplina na contemporaneidade, é essencial realizar uma trajetória retrospectiva que nos leve muito além dos dispositivos eletrônicos modernos, mergulhando nas raízes da própria necessidade humana de expressão e conexão social. Historicamente, a comunicação sempre foi o pilar da construção da identidade e do pertencimento. No entanto, durante milênios, as pessoas que possuíam impedimentos na fala articulada, fossem eles congênitos ou adquiridos, eram sistematicamente silenciadas ou consideradas intelectualmente incapazes. O pensamento antigo e medieval frequentemente associava a mudez à falta de razão, o que resultava na exclusão total desses indivíduos da vida política, religiosa e, sobretudo, educativa.
O grande ponto de inflexão na trajetória da CSA ocorreu na metade do século vinte, impulsionado pelas sequelas das grandes guerras mundiais e pelo avanço da neurologia e da pedagogia especial. A necessidade de reintegrar veteranos com lesões cerebrais e o surgimento de surtos de poliomielite forçaram a sociedade a buscar meios de expressão que não dependessem exclusivamente das cordas vocais. Nas décadas de mil novecentos e sessenta e setenta, o desenvolvimento dos primeiros sistemas de símbolos, como o Bliss e o posterior Picture Exchange Communication System (PECS), provou que a ausência de fala não significava ausência de linguagem. Atualmente, a CSA na educação é entendida como um direito humano fundamental, baseada no princípio da presunção de competência, onde cada aluno é visto como um sujeito que tem algo a dizer, restando à escola a missão técnica de fornecer o código e o suporte adequados para que essa voz emerja. Este curso detalha os fundamentos teóricos, as categorias de recursos e as estratégias de implementação pedagógica da CSA, garantindo que o educador e a rede de apoio atuem como tradutores de potenciais e arquitetos da liberdade comunicativa dentro do ambiente escolar e social.
A Comunicação Suplementar e Alternativa define-se tecnicamente como uma área de prática clínica e educacional que visa compensar as dificuldades de indivíduos com comprometimentos severos na fala ou na compreensão da linguagem falada. O termo possui uma dualidade técnica que deve ser dominada pelo profissional de educação. O componente suplementar refere-se ao uso de estratégias que vêm para apoiar e ampliar a fala já existente, mas que é insuficiente para garantir uma comunicação plena e sem ruídos. Um exemplo prático de comunicação suplementar ocorre com um aluno que possui paralisia cerebral e consegue emitir alguns sons, mas cuja articulação é muito difícil para estranhos entenderem. Esse aluno utiliza uma prancha de comunicação para apontar as palavras-chave do que está tentando dizer, tornando sua mensagem compreensível. Aqui, a CSA não substitui a fala, mas a “suplementa” para que a interação social seja bem-sucedida.
Por outro lado, o componente alternativo refere-se às técnicas empregadas quando o indivíduo não possui fala funcional ou quando a linguagem oral é inexistente. Nestes casos, o sistema de CSA torna-se a voz primária e soberana do sujeito. Um exemplo marcante de comunicação alternativa é observado no atendimento a crianças com autismo não-verbal de alto suporte. Através de um tablet equipado com softwares de síntese de voz, a criança seleciona pictogramas que representam seus desejos, sentimentos e conhecimentos acadêmicos. O dispositivo “fala” por ela, permitindo que ela participe ativamente de debates em sala de aula e expresse sua vontade de forma autônoma. A eficácia da CSA reside na quebra da barreira do isolamento: ao oferecer um sistema alternativo, o educador reconhece que o pensamento humano é vasto e que a falta de voz motorizada não deve ser uma sentença de invisibilidade intelectual.
A importância da CSA na educação contemporânea também se manifesta na redução de comportamentos desafiadores e crises emocionais. Muitas vezes, a agressividade ou o isolamento de um aluno com deficiência são apenas reflexos trágicos da impossibilidade de comunicar uma dor, uma fome ou uma ideia. Quando a escola implementa a CSA com rigor técnico e ética, ela oferece ao aluno uma via de escape para essa angústia relacional. Compreender a CSA exige que o professor mude o foco do déficit para a potencialidade, adotando uma postura de investigação constante sobre qual símbolo ou gesto melhor traduz a alma daquele estudante. Ao liderar esses processos, o docente não está apenas cumprindo uma norma de inclusão, mas realizando um ato profundo de democratização do pensamento, garantindo que o direito de ser ouvido seja exercido com dignidade por todos os alunos, independentemente de suas limitações biológicas.
Os recursos de CSA são tecnicamente classificados em duas grandes categorias, dependendo da necessidade de ferramentas externas ao corpo do usuário para a produção da mensagem: a comunicação sem ajuda e a comunicação com ajuda. A comunicação sem ajuda utiliza exclusivamente o próprio corpo do indivíduo como veículo de expressão. Isso abrange as expressões faciais, o contato ocular, a postura corporal, os gestos manuais naturais e as linguagens de sinais formais. Um exemplo cotidiano de comunicação sem ajuda é o uso de sinais manuais idiossincráticos desenvolvidos entre um aluno e sua família para indicar necessidades básicas, como “quero água” ou “estou com sono”. Embora esses recursos sejam limitados pela necessidade de um interlocutor familiarizado, eles são vitais por serem instantâneos, portáteis e não dependerem de nenhuma tecnologia além da própria vontade do sujeito.
A comunicação com ajuda envolve o uso de materiais, dispositivos ou equipamentos externos, sendo subdividida conforme a complexidade tecnológica em baixa, média e alta tecnologia. Os recursos de baixa tecnologia são ferramentas analógicas e tangíveis, como pranchas de papel plastificadas, pastas de comunicação com figuras fixadas por velcro, cartões de escolhas ou cadernos de fotografias. Um exemplo prático de baixa tecnologia na escola é a sinalização de todos os ambientes com pictogramas, permitindo que o aluno aponte para a imagem do banheiro na porta para solicitar a saída da sala. Estes recursos são extremamente resilientes, possuem baixo custo e são indispensáveis em situações onde a eletrônica pode falhar, como em atividades ao ar livre, na hora da alimentação ou em ambientes muito ruidosos.
Já os recursos de alta tecnologia englobam dispositivos eletrônicos sofisticados que possuem saída de voz (VOCA – Voice Output Communication Aids), como tablets especializados, computadores com softwares de varredura e acionadores de diversos tipos. Um exemplo espetacular de alta tecnologia na educação é o uso de sistemas de rastreamento ocular por alunos com quadriparesia severa. Como o estudante possui controle apenas sobre os músculos dos olhos, o computador lê o movimento de sua retina, permitindo que ele selecione letras e ícones na tela para compor textos complexos e interagir com conteúdos curriculares. A técnica de seleção entre as categorias não deve ser hierárquica, mas funcional. Um sistema robusto de CSA para um aluno deve ser multimodal, integrando gestos, recursos de papel e dispositivos eletrônicos, garantindo que ele tenha sempre uma forma de falar disponível, independentemente do contexto em que se encontre.
O alicerce da CSA com ajuda reside nos sistemas de símbolos, que funcionam como a gramática visual que permite a tradução de pensamentos em mensagens compreensíveis. No ambiente educativo, a escolha do sistema de símbolos é uma decisão técnica de alta relevância que deve considerar a acuidade visual, o nível de abstração e as preferências motoras do aluno. Existem diversos sistemas, desde os de alta iconicidade — como fotos reais de objetos e pessoas — até os mais abstratos e complexos. O sistema PCS (Picture Communication Symbols) e o sistema Arasaac são os mais difundidos nas escolas brasileiras, oferecendo milhares de pictogramas que cobrem desde necessidades básicas até conceitos científicos e históricos avançados.
Considere a importância do ensino do vocabulário essencial em detrimento do vocabulário periférico. Um erro comum na educação especial é criar pranchas focadas apenas em substantivos, como nomes de frutas ou cores. A técnica da CSA moderna prioriza as palavras que usamos oitenta por cento do tempo, chamadas de “Core Vocabulary”, como “eu”, “não”, “querer”, “ir”, “mais” e “gostar”. Ao dominar esses símbolos, o aluno ganha um poder imenso de controle sobre o ambiente: ele pode dizer “não gostar” de uma atividade ou pedir “mais” recreio. Um exemplo de boa prática pedagógica é a etiquetagem da sala de aula com esses símbolos, transformando o espaço em um ambiente de imersão linguística. O pictograma para “livro” na prancha deve ser o mesmo utilizado na prateleira da biblioteca, reforçando a conexão neurológica entre o símbolo e o objeto real.
A organização visual desses símbolos nas pranchas também segue critérios técnicos, como a organização por categorias semânticas ou o método Fitzgerald Key, que organiza os ícones da esquerda para a direita seguindo a estrutura lógica de uma frase (quem – faz o quê – onde). Para alunos com dificuldades de processamento visual, utiliza-se a técnica de alto contraste ou símbolos com contornos mais grossos. O símbolo não é apenas um desenho; ele é o portador de significado que permite à mente do aluno transpor as barreiras da oralidade. Ao dominar a ciência da simbologia, o educador oferece ao estudante a chave da biblioteca do mundo, permitindo que ele narre sua própria história e demonstre seu aprendizado acadêmico com autonomia e clareza.
A implementação bem-sucedida da CSA na educação não depende apenas do recurso tecnológico ou da beleza dos símbolos, mas fundamentalmente da qualidade da interação com os parceiros de comunicação — professores, colegas de turma, funcionários da escola e familiares. O maior erro técnico é acreditar que entregar um tablet ou uma pasta para o aluno é suficiente para que ele comece a “falar”. A comunicação é uma via de mão dupla e exige que o ambiente aprenda a língua do usuário. A estratégia técnica mais potente e fundamentada em evidências para o aprendizado da CSA é a Modelagem, também conhecida como Aided Language Stimulation. Ela consiste em o parceiro de comunicação utilizar o sistema do aluno enquanto fala com ele, fornecendo um modelo constante de uso.
Imagine a trajetória de aprendizado de uma criança com desenvolvimento típico: ela ouve milhares de palavras antes de produzir a sua primeira. O usuário de CSA precisa desse mesmo “banho de linguagem” visual. Se o professor diz “vamos abrir o caderno” e aponta simultaneamente para os símbolos de “ir”, “abrir” e “caderno” na prancha do aluno, ele está ensinando onde as palavras estão localizadas e como elas se conectam para formar sentido. Sem modelagem, o recurso de CSA é apenas um objeto estranho guardado na mochila. Um exemplo de sucesso na modelagem ocorre quando os colegas de classe também aprendem a usar a prancha para conversar com o amigo com deficiência, naturalizando a diversidade comunicativa e combatendo o isolamento social no recreio.
Além da modelagem, o parceiro de comunicação deve dominar a técnica do tempo de espera. Diferente da fala oral, que é quase instantânea, o processamento motor e cognitivo para selecionar um símbolo na CSA exige tempo. O facilitador deve aguardar pelo menos quinze a vinte segundos após fazer uma pergunta antes de intervir. Interromper precocemente o aluno ou “adivinhar” o que ele quer dizer são formas de microagressão pedagógica que desestimulam a autonomia. O bom parceiro de comunicação atua como um andaime, fornecendo o suporte necessário para que a mensagem emerja, mas garantindo que a autoria da fala pertença ao usuário. O sucesso da CSA é, em última instância, o sucesso do ambiente em se tornar comunicativamente acessível, paciente e acolhedor.
A avaliação para a implementação da CSA na educação é um processo dinâmico, contínuo e interdisciplinar, que deve envolver o professor da sala regular, o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE), fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e, obrigatoriamente, a família. Diferente de uma avaliação de inteligência tradicional, que busca medir o que falta ao aluno, a avaliação em CSA foca na funcionalidade e no perfil de habilidades existentes. O objetivo técnico é realizar o ajuste perfeito entre as capacidades do estudante e as características do sistema de comunicação. Isso exige a análise rigorosa de competências motoras (como ele apontará? com a mão, pé, cabeça ou olhar?), sensoriais (como é sua visão e audição?) e linguísticas (quais conceitos ele já compreende?).
Um exemplo prático de avaliação criteriosa ocorre quando a equipe percebe que um aluno possui uma excelente compreensão linguística, mas sua coordenação motora fina é muito restrita para manipular uma pasta de velcro tradicional. A solução técnica não seria simplificar o conteúdo da comunicação, mas sim adaptar o acesso, utilizando um tablet com colmeias de acrílico (grades que isolam as teclas) ou um sistema de varredura por acionadores. A partir dessa avaliação, as metas de comunicação devem ser integradas ao Plano Educacional Individualizado (PEI) do aluno. Se o objetivo da turma é aprender sobre os biomas brasileiros, o PEI deve prever que o aluno utilize sua prancha de CSA com os símbolos correspondentes aos animais e vegetações de cada região para participar da atividade.
A participação da família na avaliação é um requisito ético e técnico de sobrevivência do sistema. São os pais que trazem as necessidades comunicativas mais urgentes do cotidiano doméstico: “dor”, “medo”, “querer o cobertor azul”. Um sistema de CSA que não “fala” o que é importante para a vida privada do aluno corre o risco de ser abandonado. A avaliação termina com a definição de metas de curto e longo prazo. Por exemplo, a meta inicial pode ser usar a CSA para escolher o lanche, evoluindo para expressar sentimentos complexos ou realizar perguntas aos professores após seis meses. A avaliação em CSA não deve servir para rotular, mas para abrir portas, tratando a tecnologia assistiva como uma extensão evolutiva das possibilidades de participação do aluno na cultura escolar.
Por muitas décadas, acreditou-se erroneamente que alunos que utilizavam sistemas de símbolos não eram candidatos à alfabetização formal. A perspectiva contemporânea, no entanto, defende com firmeza que todos os indivíduos, independentemente de sua complexidade comunicativa ou motora, possuem o direito de aprender a ler e escrever. A escrita é a forma definitiva de autonomia comunicativa: através do alfabeto, o sujeito pode produzir palavras que não foram previamente programadas em sua prancha de símbolos, garantindo uma expressão infinita de pensamentos. A técnica de alfabetização para usuários de CSA exige adaptações curriculares que substituam o lápis e o papel por teclados adaptados, softwares de predição de palavras e estratégias de letramento visual intensivo.
Considere a implementação da alfabetização para um jovem com paralisia cerebral severa e perda da fala. Através de um teclado virtual na tela do computador e do uso de um acionador pneumático (acionado pelo sopro), ele aprende a compor palavras letra por letra, participando de produções de texto coletivas da turma. Um exemplo de sucesso é o uso de livros adaptados com símbolos, onde o aluno “lê” a história acompanhando os pictogramas e depois realiza atividades de interpretação utilizando sua prancha de comunicação. O professor deve incentivar a escrita criativa desde o início, valorizando as tentativas de escrita inventada, assim como se faz com crianças típicas. O letramento e a CSA caminham juntos: quanto mais o aluno lê, mais seu vocabulário visual se expande; e quanto mais ele usa a CSA, mais contexto ele possui para compreender o que lê.
O desafio técnico para o educador é remover as barreiras físicas que impedem a demonstração do conhecimento. Um aluno pode saber ler, mas não conseguir segurar uma caneta para fazer uma prova. Ao utilizar a CSA como ferramenta de avaliação, a escola garante a justiça pedagógica. A exclusão da alfabetização condena o indivíduo a um vocabulário fixo decidido por terceiros em uma prancha. Ao investir no letramento, o profissional de educação oferece ao aluno a chave da biblioteca do mundo, permitindo que ele narre sua própria biografia com as palavras que ele mesmo escolher, transformando a CSA em uma ferramenta de emancipação intelectual duradoura e plena.
A programação de um sistema de CSA — ou seja, a decisão de quais palavras e símbolos estarão disponíveis para o aluno — é uma tarefa de altíssima responsabilidade ética e técnica. O educador ou terapeuta atua como um curador temporário da voz de outra pessoa. Por esse motivo, a seleção do vocabulário nunca deve ser baseada apenas no que o adulto acha conveniente que o aluno diga (como “por favor”, “obrigado” ou “estou pronto”). Um sistema de CSA ético deve incluir, obrigatoriamente, o “vocabulário de poder”: palavras que permitam ao aluno dizer “não”, “pare”, expressar desgosto, denunciar abusos ou pedir privacidade. O silêncio imposto por falta de uma tecla específica é uma falha técnica e moral gravíssima do sistema de suporte.
Imagine a situação de um adolescente que usa CSA e está atravessando as transformações da puberdade. Se o seu dispositivo de comunicação contém apenas símbolos infantis e palavras sobre escola e terapia, ele está sendo despojado de sua identidade geracional e de sua dignidade sexual. A ética técnica exige que a programação acompanhe o ciclo de vida do sujeito, incluindo gírias, expressões de humor e termos sobre o corpo e afetividade. Um exemplo de conduta ética exemplar é envolver o próprio aluno na escolha dos símbolos e na configuração da voz sintetizada: ele prefere uma voz de criança ou de adulto? Com sotaque local ou neutro? Essas escolhas fortalecem o sentimento de que “este aparelho sou eu falando”, transformando um equipamento de plástico e circuitos em uma parte integrante da personalidade do indivíduo.
A gestão da voz alheia também envolve a proteção de dados e a privacidade. Muitos softwares modernos de CSA gravam registros de uso para fins de análise pedagógica (data logging). O profissional deve garantir que esses dados sejam tratados com sigilo e que o aluno saiba que sua fala está sendo monitorada para fins de suporte. Além disso, a ética proíbe terminantemente o “ventriloquismo”: o facilitador nunca deve induzir fisicamente a mão do aluno para que ele selecione o símbolo que o adulto deseja. A comunicação deve ser autêntica, mesmo que a mensagem seja um erro, uma reclamação ou um protesto. Ao agir com honra e transparência, o especialista em CSA valoriza a singularidade do sujeito e contribui para que a tecnologia seja um espelho fiel da alma humana, garantindo que o direito de ter uma voz própria seja exercido com integridade incondicional.
A área da Comunicação Suplementar e Alternativa ainda é cercada por mitos e preconceitos que atrasam sua implementação e prejudicam milhares de estudantes. O mito mais perigoso e persistente é a ideia de que o uso da CSA impede ou “preguiça” o desenvolvimento da fala oral. Décadas de pesquisas e evidências clínicas demonstram exatamente o contrário: o uso de sistemas de comunicação visual e de voz sintetizada frequentemente estimula a produção oral, pois reduz drasticamente a ansiedade do indivíduo e fornece um modelo auditivo constante para as palavras. A técnica da CSA não deve ser vista como uma última alternativa quando tudo falhou, mas sim como uma intervenção precoce que pavimenta o caminho para a linguagem, independentemente do prognóstico de fala futura.
Outro mito comum é a exigência de que o aluno possua “pré-requisitos cognitivos”, como o contato visual mantido ou a compreensão de causa e efeito, para começar a usar a CSA. Na visão inclusiva contemporânea, não existem pré-requisitos para a comunicação. Se o aluno não entende a relação de causa e efeito, utilizamos a própria CSA para ensinar esse conceito: quando ele toca no símbolo de “música”, nós imediatamente ligamos o som, criando a conexão neurológica entre o desejo expresso e a consequência ambiental. Um exemplo de erro ético é negar a comunicação a uma criança por ela ser considerada “muito comprometida intelectualmente”. A comunicação é o motor que desenvolve a inteligência; sem ela, o potencial do aluno permanece encarcerado e atrofiado por falta de estímulo e resposta social.
A autonomia comunicativa é o objetivo supremo da CSA na educação. Isso significa que o aluno deve ter acesso ao seu recurso vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Retirar a pasta de comunicação de uma criança ou o tablet de um jovem como punição por mau comportamento é equivalente a colocar uma fita adesiva na boca de um aluno que fala oralmente — é uma violação grave de direitos fundamentais. A ética na CSA exige que o aluno tenha o direito de dizer o que quiser, para quem quiser, no momento em que desejar, inclusive para expressar descontentamento com a escola. Ao desconstruir esses mitos, o profissional de educação valoriza a dignidade humana e garante que a CSA seja vista como uma ponte para a liberdade e não apenas como um conjunto de exercícios terapêuticos isolados da vida real.
A implementação da CSA não é um evento isolado, mas um processo de longa duração que exige resiliência e alinhamento de toda a rede de apoio — família, professores, estagiários e equipe gestora. Muitas vezes, os resultados iniciais são lentos e o desânimo pode surgir entre os envolvidos. A técnica de implementação deve ser pautada pela consistência e pela celebração de cada pequena vitória. O sucesso não é apenas o aluno produzindo frases complexas, mas sim o primeiro olhar intencional para um símbolo, a primeira vez que ele consegue dizer “não” para um lanche que não gosta ou a primeira interação iniciada por ele com um colega no pátio.
Um exemplo prático de suporte à implementação é a realização de grupos de compartilhamento de experiências entre os professores da escola. Ver que um colega conseguiu integrar a CSA em uma aula de matemática motiva a persistência do outro. A escola deve garantir que todos os funcionários, incluindo o porteiro, a merendeira e o pessoal da limpeza, saibam como interagir com o usuário de CSA: aguardando o tempo de resposta e valorizando o recurso. A técnica de “engenharia de ambiente” envolve espalhar recursos de comunicação por todos os espaços físicos: uma prancha temática no refeitório, símbolos de “empurrar” e “puxar” nas portas, cartões de sentimentos no pátio. Quanto mais o ambiente escolar “fala” a linguagem da CSA, mais fácil é para o aluno internalizá-la como uma ferramenta natural de vida.
A manutenção técnica dos recursos também faz parte da jornada de sucesso. Baterias carregadas, pastas limpas, pictogramas novos para palavras que surgiram no vocabulário do aluno e backups de segurança dos softwares são obrigações da rede de apoio para garantir que a voz do aluno nunca seja “desligada”. O professor de AEE atua como um mentor para essa rede, oferecendo treinamentos práticos e suporte emocional para os pais. A jornada da implementação é uma maratona de paciência e amor pela diversidade humana. Ao persistir diante dos obstáculos, a escola sinaliza ao aluno que sua comunicação é valiosa e que sua presença é essencial. A CSA prova que, com o suporte técnico e humano correto, todos os muros do silêncio podem ser derrubados, transformando a deficiência em uma característica secundária diante da potência do encontro mediado pela tecnologia e pelo afeto.
Ao concluirmos este percurso abrangente pelos fundamentos e práticas da Comunicação Suplementar e Alternativa na educação, fica evidente que esta área é muito mais do que um conjunto de dispositivos e softwares; é um manifesto ético em defesa da integridade do ser humano. Percorremos desde a análise histórica da mudez imposta até as fronteiras da alta tecnologia de rastreamento ocular e das estratégias de alfabetização para todos, compreendendo que a excelência profissional na CSA é o resultado de um equilíbrio delicado entre o rigor científico, a sensibilidade da escuta e o compromisso inegociável com a autonomia do outro. O educador de CSA é o mestre que fornece a chave para que mentes brilhantes possam finalmente se libertar do cárcere da ausência de fala articulada.
A jornada rumo à maestria nesta disciplina exige curiosidade incessante, estudo contínuo das inovações tecnológicas e uma profunda crença na capacidade de superação de cada estudante. Que este curso tenha fornecido não apenas os instrumentos técnicos necessários para a prática docente, mas também a inspiração para que você reconheça em cada silêncio um clamor por conexão que aguarda o seu suporte para florescer. Lembre-se que cada símbolo modelado, cada tempo de espera respeitado e cada prancha construída com carinho é um tijolo na construção de uma sociedade mais inclusiva, plural e verdadeiramente justa. Valorize a integridade da voz alheia e nunca subestime o poder transformador de oferecer a alguém os meios para dizer suas primeiras palavras, seus segredos e seus sonhos.
Encerramos este ciclo reforçando que o futuro da educação inclusiva é comunicativo e digital. O mundo necessita de profissionais e famílias que saibam orquestrar a diversidade das formas de expressão com ciência e alma. A Comunicação Suplementar e Alternativa é a ciência da liberdade; que ela seja o seu guia constante na construção de conexões humanas profundas, significativas e eternas. Boa jornada em sua trajetória profissional no fascinante e vital universo da CSA na educação!
Esperamos que tenha gostado deste curso online complementar.
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Desejamos a você todo o sucesso do mundo. Até o próximo curso!