Confecção de Instrumentos Musicais Artesanais

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Confecção de Instrumentos Musicais Artesanais

A jornada da confecção de instrumentos musicais artesanais é uma das mais belas manifestações da inteligência humana, representando o ponto onde a física acústica, a botânica, a metalurgia e a expressão artística se fundem para dar voz à alma. Para compreender a profundidade deste ofício, é fundamental realizar uma trajetória retrospectiva que nos leve muito além das modernas oficinas de luthieria, mergulhando nas raízes da própria curiosidade humana em transformar materiais brutos em veículos de harmonia e ritmo. Historicamente, a música nasceu da observação atenta da natureza. Antes da existência de ferramentas de metal ou sistemas de medição precisos, o ser humano já descobria que o vento soprando em um bambu quebrado produzia uma nota etérea, ou que o estiramento de uma fibra animal sobre uma cabaça seca criava um ressonador potente. Esses primeiros sons intencionais foram os precursores de uma evolução tecnológica milenar, onde cada cultura desenvolveu seus próprios artefatos sonoros a partir da biodiversidade local, utilizando desde ossos e conchas até madeiras nobres e metais fundidos.

Com o florescer das grandes civilizações da Antiguidade, como no Egito, na Mesopotâmia e na Grécia, a confecção de instrumentos começou a ganhar contornos científicos e matemáticos. Pitágoras, por exemplo, utilizou o monocórdio para demonstrar as relações numéricas entre as frequências sonoras, estabelecendo as bases da harmonia ocidental. No entanto, o grande ponto de inflexão na trajetória da confecção artesanal ocorreu durante o Renascimento e o Barroco, com a consolidação da luthieria clássica. Famílias como Stradivari e Guarneri elevaram a construção de violinos ao patamar de perfeição absoluta, criando segredos de vernizes e densidades de madeira que até hoje desafiam a ciência moderna. Atualmente, a confecção artesanal vive um renascimento, impulsionada pelo desejo de autenticidade sonora e pela valorização do fazer manual em um mundo saturado de produtos industriais padronizados. Este curso detalha os fundamentos técnicos, a seleção de materiais e as estratégias de design que permitem ao artesão contemporâneo construir instrumentos únicos, garantindo que o conhecimento ancestral seja preservado e transformado em arte sonora de alta performance.

O conceito de luthieria e os princípios da acústica aplicada

O termo luthieria define-se tecnicamente como a arte e a técnica de construir e reparar instrumentos de corda, mas seu conceito expandiu-se na prática artesanal para abranger a confecção de qualquer instrumento musical feito de forma manual e personalizada. O pilar fundamental desta disciplina reside na compreensão da acústica aplicada, especificamente na forma como a energia mecânica de uma vibração é captada e amplificada por um corpo ressonante. Diferente da produção em massa, onde as peças são cortadas por máquinas sem levar em conta a individualidade da fibra, na luthieria artesanal cada pedaço de material é ouvido e sentido pelo artesão antes de ser transformado. O artesão atua como um tradutor de energias, garantindo que a vibração da corda ou da coluna de ar seja traduzida em um som rico em harmônicos e sustain.

Um exemplo prático dessa função estratégica ocorre na construção do tampo de um instrumento de cordas, como um violão ou um cavaquinho. O tampo é o pulmão do instrumento; se for espesso demais, o som será abafado e sem brilho; se for fino demais, a estrutura colapsará sob a tensão das cordas. O luthier técnico utiliza o teste de batida (tap tone), percutindo a madeira e ouvindo a nota fundamental que ela emite para decidir onde deve retirar material. A eficácia desse processo reside na sensibilidade tátil e auditiva: o artesão percebe a flexibilidade da fibra e ajusta a espessura milímetro a milímetro. A luthieria é, portanto, o exercício da precisão subjetiva, onde o conhecimento dos nós e veios da madeira dita a arquitetura sonora final, transformando um pedaço de árvore morta em uma entidade vibrante e expressiva.

A importância da luthieria artesanal também se manifesta na ergonomia e na personalização. Cada músico possui uma anatomia única e uma forma particular de tocar. O artesão técnico consegue ajustar a escala, o espaçamento entre as cordas e o perfil do braço do instrumento para que ele se torne uma extensão natural do corpo do artista. Compreender a luthieria exige o domínio de ferramentas manuais tradicionais, como formões, plainas e grosas, mas também a abertura para novas tecnologias de medição de frequência e secagem controlada de materiais. Ao liderar o processo de confecção, o artesão assume o papel de guardião da qualidade sonora, provando que a alma de um instrumento não está no logotipo de uma marca, mas na dedicação minuciosa e no conhecimento profundo aplicados em cada estágio de sua criação manual.

Seleção de madeiras e a botânica aplicada à sonoridade

A escolha da madeira é a decisão mais crítica na confecção artesanal, pois a densidade, a elasticidade e a estabilidade do material determinam não apenas a estética, mas a cor tonal do instrumento. No universo da luthieria, as madeiras são classificadas como tonewoods, e cada espécie possui uma assinatura acústica distinta. Madeiras de alta densidade, como o jacarandá ou o ébano, são geralmente utilizadas para as laterais, o fundo e a escala, pois refletem o som com clareza e oferecem durabilidade mecânica. Já madeiras de menor densidade e alta resiliência, como o abeto (spruce) ou o cedro, são as preferidas para os tampos, devido à sua capacidade de vibrar livremente e projetar as notas com volume e definição.

Considere a diferença tonal entre um instrumento construído com tampo de abeto e outro com tampo de cedro. O abeto oferece um som brilhante, com agudos cristalinos e uma grande capacidade de evolução sonora ao longo dos anos — quanto mais se toca, melhor ele soa. O cedro, por outro lado, possui uma sonoridade mais quente, doce e profunda desde o primeiro dia, sendo muito apreciado por violonistas eruditos. Um exemplo de desafio técnico para o artesão é a identificação do corte da madeira: o corte radial (quarter sawn) é essencial para garantir que a madeira não empene e que a vibração percorra os veios de forma eficiente. A técnica exige que o artesão conheça o tempo de cura da madeira, que muitas vezes deve secar naturalmente por décadas para que as resinas internas se cristalizem e parem de abafar as vibrações.

Além das madeiras tradicionais europeias e norte-americanas, o luthier contemporâneo no Brasil possui o privilégio e a responsabilidade de trabalhar com espécies nativas de imenso potencial acústico. O uso de madeiras como o mogno, o cedro rosa e o pau-ferro em substituição às espécies em extinção demonstra o compromisso ético e a agilidade técnica do artesão moderno. A botânica aplicada à sonoridade também envolve o estudo da higroscopia — a forma como a madeira absorve ou libera umidade do ar. O luthier deve garantir que a oficina mantenha uma umidade relativa controlada, evitando que o instrumento sofra rachaduras ou distorsões estruturais após ser finalizado. Dominar a alma da madeira é o segredo para construir instrumentos que atravessam gerações, mantendo sua integridade física e sua beleza musical intactas sob as mais diversas condições climáticas.

Ferramentaria e a precisão no trabalho manual

O domínio das ferramentas é o que transforma o conhecimento teórico em realidade material, exigindo do artesão uma coordenação motora refinada e uma disciplina de afiação constante. A oficina de um luthier artesanal é um museu vivo de técnicas manuais, onde ferramentas simples como a plaina e o formão são utilizadas para realizar trabalhos de precisão cirúrgica. A precisão na confecção artesanal não é obtida através da automação, mas através da repetição consciente e do ajuste fino. Saber “ler” a direção das fibras da madeira para passar a plaina sem causar rasgos é uma das primeiras e mais importantes lições técnicas que o artesão deve aprender, pois um erro de milímetros em uma peça fina de madeira pode inutilizar horas de trabalho.

Um exemplo marcante de precisão ocorre na execução da junção do braço com o corpo do instrumento, conhecida como encaixe rabo-de-andorinha (dovetail). Esse encaixe deve ser tão perfeito que as peças se unam sem a necessidade de parafusos, contando apenas com a fricção da madeira e uma fina camada de cola. A técnica exige que o artesão utilize serras de precisão e formões extremamente afiados para esculpir o encaixe milímetro a milímetro. Uma junção bem executada garante que a vibração das cordas percorra todo o instrumento de forma contínua, aumentando o sustain e a estabilidade da afinação. Outro exemplo cotidiano é a retífica de trastes: o luthier utiliza limas especiais e lixas de diversas granulações para garantir que todas as barras de metal estejam niveladas, eliminando o trastejamento e garantindo o conforto do músico.

A manutenção das ferramentas é uma extensão do próprio ofício. Um luthier dedica parte considerável do seu tempo afiando suas lâminas em pedras de água ou óleo até que elas consigam cortar um fio de cabelo no ar. Ferramentas cegas exigem mais força, o que diminui o controle e aumenta o risco de acidentes e danos à madeira. No cenário atual, muitos artesãos integram ferramentas elétricas de precisão, como a tupia e a lixadeira de cinta, para agilizar os processos brutos, reservando o trabalho manual para os detalhes que definem o timbre e o acabamento. Ao dominar o uso das mãos mediado por ferramentas de excelência, o artesão atinge o estado de fluidez técnica, onde a ferramenta deixa de ser um objeto estranho para se tornar uma extensão do seu pensamento criativo e da sua busca pela perfeição sonora.

Desenho estrutural e a arquitetura das tensões musicais

Um instrumento musical é uma máquina de suportar tensões extremas de forma harmônica, o que exige do artesão conhecimentos de engenharia mecânica e física de materiais. As cordas de um violão de aço, por exemplo, exercem uma tração que pode ultrapassar sessenta quilos sobre o tampo e o braço. O desenho estrutural técnico deve prever como distribuir essa carga para que o instrumento não se desmonte, mantendo ao mesmo tempo a leveza necessária para a ressonância. O segredo dessa arquitetura reside nas leques harmônicos (bracing) — o sistema de pequenas traves de madeira coladas na parte interna do tampo que dão suporte estrutural e direcionam a vibração sonora.

Considere a técnica dos leques harmônicos na luthieria de violões clássicos. O sistema em leque, popularizado por Antonio de Torres no século dezenove, revolucionou o som do instrumento ao permitir tampos maiores e mais finos. O artesão técnico deve saber esculpir essas traves (scalloping), retirando massa nas pontas para permitir que o tampo flexione como uma membrana de tambor, mas mantendo a força no centro para suportar a ponte. Cada modelo de instrumento exige um desenho estrutural específico: bandolins e guitarras archtop utilizam tampos esculpidos em blocos sólidos de madeira para lidar com a pressão vertical das cordas, enquanto tambores artesanais dependem da tensão equilibrada entre o aro e a pele. Um erro no desenho estrutural pode resultar em um instrumento que perde a afinação constantemente ou que sofre deformações permanentes em poucos meses de uso.

A gestão das tensões também abrange o uso do tensor interno (truss rod) no braço do instrumento. Trata-se de uma barra de metal ajustável que compensa a tração das cordas, permitindo que o luthier ajuste a curvatura do braço para garantir uma tocabilidade macia. A luthieria artesanal de excelência utiliza colas de origem animal (hide glue) em áreas críticas, pois essa cola torna-se rígida como vidro após a secagem, transmitindo a vibração de forma muito mais eficiente que as colas plásticas modernas. Ao projetar um instrumento, o artesão atua como um arquiteto do invisível, criando uma estrutura interna que sustenta o esforço físico e libera a energia artística, provando que a beleza de um som nasce da harmonia secreta entre as forças de compressão e tração que habitam o corpo do objeto sonoro.

Acabamento, vernizes e a proteção estética do som

O acabamento é a fase final da confecção artesanal e desempenha um papel duplo: proteger a madeira das variações climáticas e selar a identidade estética do instrumento sem prejudicar sua vibração. Na luthieria clássica, o verniz não é apenas uma tinta, mas uma camada técnica que deve ser o mais fina e elástica possível. Vernizes industriais espessos e brilhantes, embora bonitos e resistentes, podem atuar como uma “armadura” que prende o som, impedindo que o tampo vibre em toda a sua potencialidade. O artesão técnico prefere acabamentos tradicionais, como a goma-laca aplicada pela técnica do polimento francês (french polish), que resulta em uma película microscópica e orgânica de alto brilho e transparência acústica.

Um exemplo prático de aplicação de acabamento ocorre no processo de selagem dos poros da madeira. Madeiras como o jacarandá possuem poros abertos que precisam ser preenchidos antes da aplicação do verniz para garantir uma superfície lisa. O luthier utiliza materiais naturais, como pó de pedra-pomes ou resinas vegetais, para esse preenchimento manual. O polimento francês exige semanas de aplicação em camadas sucessivas com uma boneca de pano, exigindo paciência biológica do artesão. Cada camada adiciona proteção e realça a profundidade da cor da madeira, transformando o instrumento em uma joia visual. No entanto, a técnica exige cuidado extremo com a umidade e a temperatura da oficina, pois o verniz pode “nublar” ou não secar corretamente se o ambiente estiver inadequado.

Além dos vernizes, o acabamento envolve os detalhes de decoração, como a roseta em torno do bocal, os frisos (bindings) nas bordas e as incrustações de madrepérola ou madeira na escala. Esses elementos não possuem apenas função estética; os frisos protegem as extremidades da madeira contra impactos e umidade, garantindo a longevidade estrutural. A técnica de incrustação exige o uso de fresas de alta precisão e um olhar artístico para criar desenhos que identifiquem a assinatura do luthier. O acabamento de um instrumento artesanal é o seu cartão de visitas: ele deve convidar ao toque e prometer a qualidade sonora que está guardada no seu interior. Ao finalizar esta etapa, o artesão entrega não apenas um objeto de luxo, mas um organismo protegido e pronto para vibrar em sintonia com o talento do músico.

Confecção de instrumentos de percussão e a ciência do ritmo

Embora a luthieria de cordas seja a mais famosa, a confecção artesanal de instrumentos de percussão — como cajones, alfaias, pandeiros e atabaques — exige um conjunto de competências técnicas igualmente complexo e fascinante. Na percussão, o desafio artesanal reside no controle da ressonância da pele e na acústica das caixas de ressonância. A escolha das peles, que podem ser animais (couro de cabra ou boi) ou sintéticas, dita o ataque e o sustain do ritmo. O artesão técnico de percussão deve ser um mestre no tratamento dessas peles e na construção de fustes (corpos) de madeira que projetem o som com potência e fidelidade tímbrica.

Imagine a construção de um cajón artesanal, um instrumento de origem afro-peruana que se tornou global. O segredo técnico do cajón reside na escolha da madeira para a tampa (tapa), que geralmente é uma lâmina fina de compensado de alta qualidade ou madeira sólida resiliente. O artesão instala um sistema de cordas de violão ou esteiras de caixa na parte interna da tampa para produzir o som de “shack” característico quando o músico bate na parte superior. O ajuste dessas esteiras deve ser preciso para que o som não soe sujo ou sem vida. Um exemplo de inovação técnica na percussão artesanal é o uso de sistemas de afinação por parafusos internos ou externos, que permitem ao músico ajustar o tom do instrumento conforme a umidade do ar, que afeta drasticamente a tensão do couro natural.

A técnica de construção de alfaias e tambores de fuste exige o domínio da técnica de marcenaria de ripas ou o uso de madeira escavada (tronco oco). No caso das alfaias de maracatu, o uso de cordas de sisal ou nylon para a afinação manual mantém a tradição e a sonoridade rústica e potente necessária para os folguedos de rua. O artesão de percussão também deve conhecer a metalurgia básica para confeccionar platinelas de pandeiros e ferragens de afinação. A confecção de percussão é a ciência da batida e da pressão; cada milímetro de curvatura no fuste e cada grama de espessura na pele alteram o comportamento das ondas sonoras. Ao dominar esses elementos, o artesão garante que o ritmo flua com clareza e emoção, fornecendo o alicerce rítmico para todas as outras manifestações musicais.

Manutenção, regulagem e restauração de instrumentos

A carreira na confecção artesanal de instrumentos musicais é indissociável da prática de manutenção e restauração, atividades que exigem um diagnóstico técnico preciso e um respeito profundo pela obra original. Um instrumento musical é um objeto que sofre desgaste natural com o uso e com a passagem do tempo. O trabalho de regulagem básica envolve o ajuste da altura das cordas (ação), a compensação da oitava na ponte e a limpeza profunda dos componentes elétricos e mecânicos. Já a restauração é uma intervenção mais profunda, visando salvar instrumentos antigos ou danificados, devolvendo sua funcionalidade sem apagar sua história e pátina.

Um exemplo crítico de manutenção é o ajuste do rastilho e da pestana (nuts and saddles). Essas pequenas peças, geralmente feitas de osso, latão ou materiais sintéticos, são os pontos de apoio das cordas. O luthier técnico utiliza limas de ranhura específicas para cada bitola de corda, garantindo que o espaçamento seja perfeito e que não haja ruídos indesejados. Um erro aqui pode tornar o instrumento duro de tocar ou desafinado em certas regiões da escala. No campo da restauração, o artesão lida com desafios como rachaduras no tampo causadas por ressecamento ou o descolamento de cavaletes sob tensão. A técnica técnica exige o uso de grampos de luthieria e colas reversíveis, permitindo que intervenções futuras possam ser feitas sem destruir a madeira original.

Restaurar um instrumento de valor histórico exige uma postura ética de conservação. O artesão deve evitar substituir peças originais desnecessariamente, preferindo técnicas de reforço interno invisíveis (cleating). Um exemplo marcante é o reparo de braços quebrados, onde o luthier realiza uma colagem estrutural e reconstrói o acabamento para que a cicatriz seja imperceptível ao tato e à visão. A manutenção e a restauração são escolas contínuas para o luthier: ao consertar instrumentos de outros construtores ou de épocas passadas, o artesão aprende sobre diferentes filosofias de design e erros estruturais comuns, enriquecendo sua própria técnica de confecção. O mestre luthier é aquele que sabe cuidar da vida longa da música, garantindo que o instrumento seja um parceiro confiável para o artista em todas as fases de sua trajetória criativa.

Ética e sustentabilidade na luthieria artesanal brasileira

A confecção artesanal de instrumentos no Brasil vive um momento de reflexão profunda sobre a ética no uso dos recursos naturais e a responsabilidade social do artesão. Como a luthieria depende historicamente de madeiras nobres que hoje se encontram ameaçadas ou protegidas por leis internacionais (como o CITES), o artesão moderno deve atuar com total transparência sobre a procedência de seus materiais. A ética manifesta-se na recusa em utilizar madeiras de desmatamento ilegal e na busca ativa por alternativas sustentáveis que não comprometam a biodiversidade. O luthier brasileiro tem o dever técnico de ser um embaixador da preservação florestal, demonstrando que a música pode ser feita com respeito incondicional à natureza.

Considere o dilema ético do Jacarandá-da-Bahia, madeira lendária para violinos e violões, mas cujo comércio é hoje estritamente proibido. O artesão ético utiliza estoques antigos com documentação comprovada ou investe em pesquisas com outras madeiras nacionais, como o Imbuia, o Angico ou o Louro-Preto, que oferecem excelentes propriedades acústicas. Um exemplo de boa prática sustentável é o reaproveitamento de madeiras de demolição e móveis antigos. Madeiras que já sofreram o processo de cura natural por décadas em estruturas de casas são tesouros acústicos escondidos; ao transformá-las em instrumentos, o luthier pratica a economia circular e evita a derrubada de novas árvores. A sustentabilidade técnica também envolve o uso de vernizes de base aquosa ou ceras naturais que minimizam a emissão de compostos orgânicos voláteis (VOCs) na oficina.

A postura ética também se estende ao relacionamento com o cliente. O artesão deve ser honesto sobre as limitações e potencialidades de cada projeto, fornecendo orçamentos claros e cumprindo prazos. A luthieria é um mercado baseado na confiança; uma assinatura em um instrumento é uma promessa de integridade. Ao agir com honra e transparência, o profissional valoriza a sua classe e contribui para que o artesanato musical seja visto como uma indústria de respeito humano e excelência técnica. O luthier que planta árvores e educa seu público sobre a importância das florestas garante que a música do futuro ainda tenha madeira de qualidade para vibrar, transformando sua oficina em um centro de conscientização ecológica e excelência artística.

Estratégias de mercado e a comercialização da arte sonora

Viver da confecção artesanal de instrumentos musicais exige que o artesão, além de mestre da técnica, seja também um empreendedor estratégico capaz de posicionar seu trabalho em um mercado competitivo. Diferente da venda de produtos de prateleira, comercializar um instrumento feito à mão é vender uma experiência, uma parceria e um legado. O marketing técnico para o luthier baseia-se na demonstração de autoridade e qualidade sonora. O uso de redes sociais para documentar o processo de construção — desde o bloco de madeira bruto até o polimento final — cria uma narrativa de valor que justifica o preço diferenciado do trabalho artesanal.

Um exemplo prático de estratégia comercial é a realização de parcerias com músicos influentes e professores de música. Quando um artista de renome utiliza um instrumento de um luthier específico em uma gravação ou concerto, a marca ganha uma validação social instantânea. O artesão técnico deve produzir vídeos de demonstração sonora de alta fidelidade, permitindo que potenciais clientes em outras cidades ou países possam “ouvir” a qualidade de sua produção. Participar de feiras de artesanato e festivais de música é outra forma vital de networking, onde o contato direto do público com o instrumento gera o encantamento que as fotos não conseguem transmitir. A comercialização exige também organização administrativa: saber calcular o custo da hora técnica, dos materiais e dos impostos para garantir a sustentabilidade financeira do negócio.

A formalização como Microempreendedor Individual (MEI) ou outra estrutura jurídica é um passo técnico importante para emitir notas fiscais e acessar mercados corporativos e editais de cultura. O luthier artesanal de sucesso é aquele que encontra seu nicho: seja na construção de instrumentos históricos, no reparo de guitarras de alta performance ou na criação de instrumentos folclóricos exclusivos. O pós-venda é a ferramenta definitiva de fidelização: oferecer uma garantia sólida e serviços de regulagem vitalícios cria uma comunidade de clientes fiéis que se tornam promotores naturais da marca. Ao unir o talento manual à inteligência de mercado, o artesão garante que sua arte sonora encontre os palcos e as mãos que farão a sua técnica vibrar pelo mundo.

Conclusão: a missão de ser um arquiteto do som e da alma

Ao concluirmos este percurso pelos fundamentos e práticas da confecção artesanal de instrumentos musicais, fica evidente que este ofício é uma das mais altas expressões da capacidade humana de harmonizar a técnica com o sentimento. Percorremos desde a análise das propriedades botânicas das madeiras até as sofisticadas estratégias de luthieria estrutural e acabamento estético, compreendendo que a excelência em um instrumento é o resultado de um equilíbrio delicado entre o rigor científico e a alma criativa. O artesão de instrumentos não é apenas um fabricante de objetos; ele é um arquiteto do som, o mestre que fornece as ferramentas para que a beleza da música possa se materializar e emocionar a sociedade.

A jornada rumo à maestria na luthieria artesanal exige paciência biológica, curiosidade inesgotável e um compromisso inegociável com a integridade ética e ambiental. Que este curso tenha fornecido não apenas as ferramentas técnicas iniciais, mas também a inspiração para que você reconheça em cada pedaço de material uma voz em potencial que aguarda a sua técnica para despertar. Lembre-se que cada instrumento construído com carinho, cada restauração feita com respeito e cada regulagem precisa contribui para a riqueza cultural da nossa civilização. Valorize o seu suor sobre a bancada e nunca subestime o impacto transformador de um som puro e bem desenhado sobre a vida das pessoas.

Encerramos este ciclo reforçando que o futuro da música artesanal brasileira depende da formação de profissionais que saibam unir a tradição do passado à consciência do futuro. A confecção artesanal é a ciência da vibração e a arte do encontro humano mediado pelo som; que ela seja o seu guia constante na construção de uma carreira sólida, vibrante e repleta de significado artístico e social. O mundo da música aguarda a sua assinatura técnica e o brilho da sua arte sonora original. Boa jornada em sua trajetória profissional no fascinante e vital universo da confecção de instrumentos musicais!

 

Ficamos por aqui…

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Desejamos a você todo o sucesso do mundo. Até o próximo curso!

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